Projeto Brasil Cidades ganha ação no RS

16 novembro 2017

O Projeto Brasil Cidades, grupo nacional que milita por cidades mais inclusivas e com menos desigualdades sociais, terá um braço no Rio Grande do Sul. A mobilização, coordenada pela arquiteta e urbanista e professora Erminia Maricato, chega ao Estado graças à adesão do Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs), do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento RS (IAB/RS), do Grupo de Pesquisa Cidade em Projeto da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs e movimentos sociais. A inclusão das entidades gaúchas foi formalizada nesta quarta-feira (8/11) durante o seminário Olhares sobre a Cidade, realizado no Memorial Luiz Carlos Prestes, em Porto Alegre. Segundo a presidente do Saergs, Maria Teresa Souza, a iniciativa é importante para repensar, dentro do Rio Grande do Sul, os rumos que se quer para as cidades gaúchas. “A sociedade precisa de cidades inclusivas, que unam e diminuam as diferenças entre as pessoas. Tentaremos trabalhar para isso com empenho”, pontuou.

Durante palestra que proferiu no evento promovido pelo Saergs com patrocínio do CAU/RS, Erminia citou que o país atravessa uma mudança muito grande e pontuou as diferenças sociais vivenciadas pelos brasileiros. “Manter a população ilegal é a melhor forma de mantê-la subordinada. Não existe direito, você deve favor”, disparou. Segundo ela, a situação piorou muito após o último surto imobiliário, de 2009 a 2014. “Foi uma verdadeira tomada de assalto das cidades pelo capital imobiliário, pelas magaobras, o que resultou em uma piora na mobilidade. É momento de repensar o que aconteceu, o que sobrou de bom de um ciclo virtuoso, o que houve para que perdêssemos a hegemonia de pensar as cidades e o que podemos fazer para frente”. Citou as diferenças sociais vividas hoje nas cidades, onde a população negra segue nas periferias. “Precisamos superar o analfabetismo urbanístico e recuperar o poder que já tivemos nas cidades”, salientou.

A arquiteta e urbanista fez referência à expansão das cidades médias brasileiras, movimento que, segundo ela, reforça o aumento da exploração imobiliária por parte da burguesia. “A lei que comanda as nossas cidades não são as normas. São outras”. Ermínia conclamou por mais unidade e menos desigualdades sociais. Segundo ela, por mais diferentes que sejam as cidades, há questões que as unem. “Cada cidade é uma cidade, mas existem propostas unificadoras. A desigualdade precisa ser combatida, a falta de uma mobilidade cidadã e coletiva. A prioridade ao automóvel precisa ser combatida. A cidade é uma construção social. Não pode ser vista como uma colcha de retalhos de propriedade privada. Até porque nossa legislação fala em função social das cidades e da propriedade. Temos que fazer valer a lei e convencer o povo que ele tem que ser dono da cidade”, concluiu.

Segundo ela, já há um movimento crítico se formando no país focado na transformação pelas cidades. Para combater ao que chama de “construção fictícia das cidades”, ela defende que é hora de sair do discurso e caminhar para a retomada do ciclo virtuoso. Dirigindo-se aos arquitetos e urbanistas – maioria da plateia – pontuou a importância da prática da assistência técnica à habitação de interesse social e da extensão universitária.

Brasil Cidades

Além de Porto Alegre, o movimento Brasil Cidades atua em outros quatro núcleos (Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo). O grupo tem manifesto publicado na internet (https://www.brcidades.org/) onde expõe um projeto de construção social para as cidades brasileiras A mobilização será alvo de encontro agendado para 22 de maio de 2018, onde pretende reunir entidades e lideranças para alinhar e sistematizar o trabalho a ser feito. O evento já tem apoio da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA).

© SAERGS · Por Aldeia