Arquiteto deve ser agente da Habitação de Interesse Social

08 novembro 2018

Os arquitetos e urbanistas precisam pensar e projetar arranjos que viabilizem a Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (Athis) no Brasil. A bandeira foi defendida pela arquiteta e urbanista Paola Maia, uma das sócias do AH! Arquitetura Humana, escritório que tem a assistência técnica como uma de suas prioridades. O projeto, que também reúne as arquitetas Taiane Beduschi e Karla Moroso, foi detalhado durante palestra no Saergs Na Estrada, evento realizado na terça-feira (07/11), na Ftec, em Novo Hamburgo. “Começamos nesse trabalho militando e acabamos fazendo várias reflexões sobre o papel do arquiteto”, disse Paola, convicta de que o segmento trata-se de um nicho de mercado essencial de ser enxergado pelos arquitetos e urbanistas

Durante a palestra, apresentaram alguns de seus projetos mais recentes, como o assentamento 20 de Novembro e ocupação 02 de Junho, e frisaram a importância da inserção dessas comunidades nas cidades. “Quando a gente trabalha com as ocupações, pensamos sempre na relação com o espaço público, porque esse também é um papel social do arquiteto”, afirmou Taiane.

A preocupação foi alvo da manifestação do diretor de Assuntos Trabalhistas do Saergs, Hermes de Assis Puricelli, que representou a diretoria no evento. Segundo ele, os trabalhos como o realizado pela AH! comprovam a importância do arquiteto no aspecto social, destacando que essa é uma área cada vez mais demandada, fato que gera inúmeras oportunidades aos profissionais da arquitetura e urbanismo.

O Saergs Na estrada é uma promoção do Sindicato dos Arquitetos no Rio Grande do Sul (Saergs) com patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) e apoio da Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Região dos Vinhedos (Aearv), Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA RS), Associação de Arquitetos de Interiores do Brasil/RS (AAI Brasil/RS), Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) e Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA).

A programação ainda contou com apresentação das arquitetas e urbanistas de Santa Catarina Aline Pires e Natália Prates, da 3P Studio. Ao lado da sócia Julia Prado, as profissionais deram início a um projeto inovador que começou com o interesse por gastronomia, pelos cardápios e culminou na análise dos ambientes dos restaurantes. Tudo começou, contaram elas, com a visita a alguns estabelecimentos, seguida pela redação de textos e produção de fotos para uma revista eletrônica chamada Deleite-se. Com o tempo, a iniciativa cresceu e, além da revista impressa, há diversos outros projetos na área gastronômica para aguçar o apetite dos clientes.

As conquistas já renderam prêmios às profissionais que venceram o concurso Archathon Sul Brasil com o projeto Cozinha Dois Mundos, exposto na CasaCor SC e assinam inovador espaço de beleza, onde mais do que um salão, as clientes são vistas como obras de arte, e os profissionais, os artistas. “Com o prêmio, passamos a ser vistas como arquitetas e não mais como as meninas que escreviam a revista”, afirma Aline.

As oficinas do Saergs em Novo Hamburgo ainda contaram com a participação da advogada Adriana Ilha, que abordou a importância do Direito Autoral na Arquitetura. A profissional explicou que o autor de uma obra arquitetônica tem direitos morais e patrimoniais sobre ela. O primeiro é de caráter inalienável e pertencente ao autor, enquanto o segundo pode ser transacionado para terceiros desde que o conteúdo da obra não seja modificado sem seu consentimento. A advogada alertou que o Direito Autoral independe de um registro prévio.

Adriana também falou sobre conflitos comuns envolvendo arquitetos e urbanistas tanto na relação com o cliente quanto com entes públicos e com outros arquitetos “Geralmente, os conflitos ocorrem quando há dano à paternidade da obra ou quando os profissionais se sentem feridos em relação à obra realizada.” Ela citou a importância de que as obras arquitetônicas carreguem o nome dos profissionais de autoria. “Por que não explorar esse direito de autor da obra? Por que isso não é uma cultura entre os profissionais? Em algumas franquias isso já é comum.” Determinando a negociação, o contrato pode prever a fixação de placas, sugeriu.

 

© SAERGS · Por Aldeia