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O Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs) divulgou, nesta segunda-feira (23/11), os resultados do Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano 2020. Na categoria Setor Público, a arquiteta e urbanista Maria Tereza Fortini Albano foi a vencedora; no Setor Privado, foi escolhido o profissional Nino Roberto Schleder Machado. Na categoria Jovem Arquiteto e Urbanista, a equipe do projeto de reurbanização do Centro de Conde (PB), formada por Camila Bellaver Alberti, Jean Michel Fortes dos Santos, Mariana Mocellin Mincarone e Douglas Silveira Martini. Para atuação em Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS), a arquiteta e urbanista Terezinha de Oliveira Buchebuan. A Homenagem Póstuma de 2020 será feita ao arquiteto e urbanista Militão de Morais Ricardo, falecido em setembro de 2020.
A votação se deu por meio de site e formulário no período de 09 a 20 de novembro. Segundo o presidente do Saergs, Evandro Babu Medeiros, a homenagem aos profissionais é afetiva. “Nesse ano de pandemia, em que todas as vidas importam, não se trata de estimular ou promover competitividade dentro da categoria, já que o Rio Grande do Sul sempre formou excelentes profissionais, que se destacam em suas carreiras ou pelas bandeiras de atuação da classe, mas de permitir à categoria dizer quem, de alguma forma, ela pretende homenagear. Todas as indicações são figuras importantes para a Arquitetura e o Urbanismo, não só pela atuação individual, mas também pela representação de toda a classe”.
A entrega dos prêmios ocorrerá na quinta-feira (26/11), seguindo protocolos sanitários. Cada premiado terá um horário marcado para visitar a sede do Saergs e receber sua honraria. A cerimônia será realizada no pátio para assegurar o cumprimento de todas as normas de segurança contra a Covid-19.
O prêmio conta com o patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS) e apoio de Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), Institutos de Arquitetos do Brasil Departamento do Rio Grande do Sul (IAB/RS), Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Associação de Arquitetos de Interiores do RS (AAI/RS) e Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (FeNEA).
Saiba mais sobre os Arquitetos e Urbanistas do Ano 2020:
Categoria Setor Público
Maria Tereza Fortini Albano Arquiteta, mestre em planejamento urbano e regional, especialista em Desenho Urbano e em Planejamento Urbano, trabalhou praticamente durante 35 anos no setor público, especialmente na antiga Secretaria Municipal do Planejamento de Porto Alegre onde permaneceu até 2012. Entre esta data e 2014 foi técnica da Secretaria Municipal de Urbanismo onde se aposentou da atividade pública, passando a ter uma atuação mais voltada para a diversidade das questões urbanas, dentro e fora de entidades como o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul, onde foi vice presidente na gestão 2017-2019 e coordenadora da Comissão Cidades por 7 anos. Na prefeitura, integrou a coordenação técnica da equipe que construiu a proposta aprovada em 1999 do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental – o PDDUA de Porto Alegre e acompanhou o processo de implementação deste plano, bem como o período de vigência do 1º Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU de 1979. Coordenou estudos, participou de equipes e comissões e representou a secretaria em eventos nacionais e internacionais.
Categoria Setor Privado Nino Roberto Schleder Machado Professor fundador da UPF e fundador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UPF. Está à frente do escritório NR Arquitetos há 48 anos. Em Passo Fundo foi responsável por traçados urbanísticos na Avenida Brasil, na Rua Moron, na Avenida General Netto, na Praça Menegaz e na Praça do Teixeirinha. Na Arquitetura Institucional, projetou o Fórum de Passo Fundo; Biblioteca do SESI; Biblioteca Central da UPF; Faculdade de Odontologia UPF; Pórtico da UPF; Instituto de Anatomia UPF, entre outras. No setor empresarial, conta com projetos e obras como o Centro Administrativo da Grazziotin S.A.; GZT; Hotéis Itatiaia, Hotéis Bertaso, Mogano Premium e Mogano Business em Chapecó. Hoje, ainda à frente do escritório próprio, atua na área de projetos hospitalares.
Categoria Jovem Arquiteto
Equipe da Reurbanização do Centro de Conde/PB: Camila Bellaver Alberti, Jean Michel Fortes dos Santos, Mariana Mocellin Mincarone, Douglas Silveira Martini Camila Bellaver Alberti, Jean Michel Fortes dos Santos, Mariana Mocellin Mincarone formaram-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS em agosto de 2018, e, em novembro do mesmo ano, juntamente com Douglas Silveira Martini (então graduando da mesma instituição), elaboraram o projeto que venceu o concurso público nacional de Arquitetura e Urbanismo organizado pela Prefeitura Municipal de Conde para a Requalificação do Centro de Conde/PB. A equipe foi contratada para desenvolver os projetos executivos de urbanismo, paisagismo, infraestrutura urbana, arquitetura e complementares. Foi a primeira experiência profissional do grupo recém egresso da Universidade. Durante o ano de 2020, a obra encontra-se em fase final de execução.
Categoria Athis Terezinha de Oliveira Buchebuan Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – PROPUR/UFRGS, na linha de pesquisa Planejamento e Espaço Urbano e Regional. Mestrado em Letras, Cultura e Regionalidade pela Universidade de Caxias do Sul (2010). Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Caxias do Sul (2005). Atualmente é Professor Mestre Assistente II da Universidade de Caxias do Sul. Experiência na área de Arquitetura e Urbanismo atuando principalmente nos seguintes temas: Evolução Urbana, Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, Projetos Comunitários Participativos, Patrimônio Cultural. Coordena o escritório modelo Taliesem, da UCS.
Homenagem Póstuma Militão de Morais Ricardo Natural de Bagé, Militão formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1957. Foi um dos pioneiros em questões relacionadas ao urbanismo e conservação ambiental, tanto no Estado quanto no Brasil, destacando-se pelo Projeto Corredores Ecológicos, um dos projetos que compunha o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, preservando a biodiversidade e nossas reservas naturais, no início dos anos 2000.Militão lecionou na Faculdade de Arquitetura da UFRGS, mudando-se para Brasília na década de 1970. Antes, atuou no IAB na gestão 1966/67, e foi membro do Conselho Fiscal da Associação dos Profissionais Arquitetos de Porto Alegre, entidade precursora do Sindicato dos Arquitetos no RS (SAERGS). Faleceu em setembro de 2020.
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Assim como no Brasil, o trabalho de arquitetos e urbanistas em diversos países segue uma lógica de terceirização e precarização das relações de trabalho. Em uma viagem por quatro continentes, o Fórum Saergs no Mundo do Trabalho reuniu em live, na manhã de sábado (21/11), arquitetos brasileiros que atualmente trabalham nos Estados Unidos, França, Alemanha, Austrália, Portugal e Equador. Conduzido pelo presidente do Saergs, Evandro Babu Medeiros, o debate apresentou um panorama sobre contratos de trabalho, remuneração e valorização profissional no exterior. O Fórum Saergs no Mundo do Trabalho é uma promoção do Sindicato dos Arquitetos no Estado do RS, tem o patrocínio do CAU/RS e apoio da FNA, IAB, Fenea e CUT. Trazendo a realidade dos arquitetos e urbanistas que atuam na Espanha, Francine Ramil conta que a maioria dos arquitetos e urbanistas do país são autônomos assim como no Brasil. Contudo, esses contratos de trabalho trazem seguranças mínimas, como férias e indenização. Contratos formais com vínculo, acrescenta ela, são vislumbrados apenas em escritórios grandes. Admitindo que passou por um pouco de tudo, Francine conta que não foi fácil consolidar-se no mercado. “Aqui temos que sempre mostrar um pouco mais para sermos reconhecidos”, relatou a profissional que atua em Barcelona, uma das cidades mais idolatradas pelos arquitetos em todo mundo. Apesar do preconceito que sofreu por ser latino-americana, Francine admite que se adaptou muito bem ao estilo de vida da Espanha, onde há uma franja social média que permite uma vida confortável. “A diferença entre os que cobram menos e mais não é como no Brasil. Aqui, fica todo mundo dentro da uma mesma camada”. Contudo, na jornada, admite que passou por alguns momentos difíceis. Ela recorda de episódio ocorrido em 2000, quando estava fazendo demonstrações e um homem perguntou: “O que você está fazendo aqui que não está dançando em um discoteca?”. Uma das principais diferenças positivas, cita ela, é em relação à valorização da profissão. “Existe um poder social do arquiteto aqui. O arquiteto é muito mais reconhecido que no Brasil”, pontuou, citando que a sociedade sabe que, ao fazer uma obra, os profissionais de Arquitetura e Urbanismo são necessários. Reconhecimento relatado também pela a arquiteta e urbanista Angélica Rigo,  que atualmente trabalha em Lisboa, Portugal. “Aqui o arquiteto é conhecido. A cidade briga para ter e contratar determinado profissional”, ressalta. No entanto, a flexibilização dos direitos trabalhistas também é uma constante. “O arquiteto não é contratado. Geralmente, é autônomo e utiliza o que eles chamam de recibo verde”. Em relação aos sistemas de contratação, Angélica informou que há o chamado “Contrato a termo”, no qual existe um período determinado e que permite  à empresa demitir sem ter que pagar os tributos de uma demissão. Ele pode ser renovado por três vezes. Já o chamado “Contrato sem termo” é definitivo e carrega consigo mais direitos.  “Eu fui contratada por um contrato a termo e, depois das renovações, entrei no contrato sem termo, que é mais estável. A realidade aqui é bem parecida com a do Brasil e da Espanha”, conta, garantindo que não sentiu preconceito por ser brasileira e que as diferenças culturais geralmente viram assunto de descontração. Mas nem toda a Europa segue esse padrão de contratação. A arquiteta e urbanista Lis Lagoas, atualmente situada em Paris, informa que a situação na França é bem diferente. Contratada por uma grande empresa francesa e sem diploma validado naquele país, ela já atua com projetos para todo o mundo. Os contratos lá, explica a profissional, são mais rígidos. “A figura do arquiteto aqui é muito importante, mais importante que o engenheiro. Somos classe média como todas as outras profissões, igual aos médicos. Aqui também há discrepâncias, mas as coisas são mais iguais”, salienta. Na França, o salário varia com os conhecimentos adquiridos. Há diferentes degraus profissionais que diferenciam o desenhista, o arquiteto, o arquiteto de interiores e o chefe de projeto, por exemplo. “Cada step tem um salário mínimo específico e há contratos de trabalho”, confirma. Apesar de admitir que existem contratos de freelancer, no qual as empresas não são tão oneradas quanto em uma relação formal de trabalho, esses são carregados de direitos sociais. E raramente encontra-se arquitetos e urbanistas formados nessa condição. Existem os chamados contratos por tempo determinado, onde há vínculo estabelecido e os CDI, que são os contratos por tempo indeterminado. “No CDI, é muito difícil de ser demitido. Aqui na França, o trabalhador tem mais segurança e proteção do estado”, destaca. Sobre o dia a dia de trabalho, Lis informa que a fiscalização é maior em assuntos relevantes, como a questão de controle de incêndios. Os processos de aprovação são demorados e, não raras vezes, estabelecimentos comerciais demoram a abrir as portas à espera de validação. Admitindo que ser imigrante vem com uma cobrança extra de qualidade, ela conta que a empresa onde trabalha é repleta de imigrantes, o que torna o ambiente agradável. “A gente não pode cometer erros, tem que ser melhor para competir com iguais”. Entre os grandes aprendizados que recebeu do mercado de trabalho francês, explica Lis, é o respeito ao trabalhador e a divisão clara entre vida pessoal e profissional. “A diferença mais marcante e interessante é que ninguém trabalha no final de semana. Estou aprendendo aqui que é assim que tem que ser”. O mercado de Sidney também rendeu-se aos brasileiros. A arquiteta Vanessa dos Santos, formada em 2008, conta que, quando começou na empresa, foi contratada para uma vaga inferior e que, em seis meses, foi promovida.  “Eles me procuraram e disseram que eu tinha mais experiência do que imaginavam e corrigiram a vaga sem eu ter que falar nada. Foi o justo, o certo”. Atualmente trabalhando com edificação de prédios residenciais de 180 apartamentos, é a arquiteta responsável por grandes projetos. Trabalho que, indica, é bem regulamentado e está subordinado a várias limitações de legislação. “Há vários tipos de normas técnicas a serem seguidas e essa é a maior dificuldade do trabalho aqui. São bem mais leis do que no Brasil”, indica. Outro brasileiro em Sidney é Fabrício Siqueira que, além de trabalhar com o setor, ainda dá aulas. Assim como Vanessa, ele indica uma maior regulamentação do mercado de trabalho. Uma das grandes diferenças em relação ao Brasil, citou ele, é o aumento severo da responsabilidade técnica. “Com as mudança climáticas, vieram novas regulamentações para melhorar a performance e surgiu uma nova categoria de cientista ambiental. Também se viu aumentar o papel do engenheiro de incêndio”, conta Fabrício. O arquiteto Eduardo Machiavelli relatou sua experiência profissional da Itália e Alemanha. Na Europa há três anos, ele confirmou que, na Itália, também é difícil estabelecer uma relação formal de trabalho similar ao que, no Brasil, conhecemos como carteira assinada. Na Alemanha, citou ele, as empresas tem estruturas similares aos sindicatos dentro de cada empresa, encarregando um funcionário a representar os demais no conselho de administração das empresas. Em termos de remuneração, indicou ele, um profissional com cinco anos de atuação recebe entre 1.800 a 2 mil euros mensais. Com 20 anos, a soma salta para 3 mil euros mensais. Formado em 1997 na UFRGS, o arquiteto e urbanista Sebastian Sevilla voltou ao Equador para atuar em Arquitetura e Urbanismo. A maioria dos profissionais, cita ele, são contratados por projeto. Segundo ele, há muita dificuldade de aprovar projetos em grandes centros urbanos sendo profissional do interior. Segundo ele, as lei trabalhistas no Equador são muito complexas mas existem, sim, os contratos temporários e probatórios. Para falar sobre a realidade do mercado nos Estados Unidos, Laura Dueñas participou da live do Saergs. Com atuação há 15 anos, ela trabalha em um grande escritório em Boston. Uma de suas conquistas é o de atuar na liderança de uma equipe. “Não sou apenas desenhista. Demorou 10 anos para atuar na certificação de interiores”, conta. Mesmo assim, ela segue na luta por teu seu número de registro para Interiores no mercado norte-americano, o que espera conseguir em breve. Com ele, admite ela, devem surgir novas oportunidades e uma remuneração melhor. No início, recorda ela, que também trabalhou na Itália, não ganhava os melhores projetos ou contato com os clientes porque achava que não era apropriado. “O sotaque carregado também atrapalhou. Depois de 14 anos, estou mais confortável no mercado”, diz. Confira a live completa clicando aqui. 
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