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A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) está presente no maior evento global de Arquitetura e Urbanismo. Junto com seus sindicatos filiados, a federação prepara uma agenda especial de atividades com debates e lives sobre temas importantes da Arquitetura e Urbanismo dentro da proposta central do 27° Congresso Mundial de Arquitetos- Todos os Mundos. Um só Mundo. ARQUITETURA 21.

O evento, que já deu a largada em março com uma semana aberta de programação, retorna agora de 19 a 22 de abril com o eixo temático DIVERSIDADE E MISTURA, com uma agenda recheada e com a participação de expoentes da arquitetura e urbanismo de diversas localidades do Brasil e do mundo.
Na semana de 19 a 22/04, a FNA estreia com a live ‘Elas Pelo Direito à Cidade – ATHIS sob o Ponto de Vista do Movimento Popular’, pontualmente escolhida após um mês de março dedicado a exaltar a luta e o protagonismo de mulheres pelo direito à moradia. A temática retorna na programação aberta do UIARio2021 trazendo como convidadas lideranças femininas que estão à frente de movimentos sociais e entidades.

Os movimentos populares de luta pela moradia estão representados por Ceniriani Vargas da Silva, do Assentamento 20 de Novembro e do Movimento Nacional de Luta por Moradia em Porto Alegre (RS), Sarah Marques do Nascimento, do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste, de Recife (PE), e a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), Fernanda Carolina Costa. Também participam do debate, pela FNA, o diretor Patryck Carvalho e a presidente Eleonora Mascia.

A live faz parte da mesa ‘Arquitetura da Inclusão Social’, dentro da temática sobre ATHIS, que será amplamente debatida pela federação e seus sindicatos ao longo de toda a programação do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Também com foco na assistência técnica em habitação de interesse social, a FNA irá promover, em maio, a live ‘ATHIS na Prática Profissional: o Encontro com a Arquitetura Popular, com os nomes já confirmados de Maíra Rocha (RJ), Riva Feitoza (SE) e Alexandre Hoddap (SP), evento com coordenação do arquiteto e urbanista e ex-presidente da FNA, Jeferson Salazar. Também em ATHIS, serão realizadas agendas com as pautas ‘ATHIS na Universidade/Extensão: Caminhos Trilhados e Novas Perspectivas e ‘ATHIS e as Cidades para Inclusão: Integração das Políticas nos Territórios’.

No período que antecede o Congresso de 18 a 22 de julho de 2021, a FNA prossegue com uma agenda com lives e debates com os temas relacionados ao Mundo do Trabalho e à ATHIS.

O 27° Congresso Mundial de Arquitetos se estende até julho deste ano, com conteúdos abertos e programação especial para inscritos no evento. Como parceira institucional do UIARio2021, os profissionais sindicalizados tem 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Informações no email fna@fna.org.br

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De 19 a 22 de abril acontece a segunda etapa da SEMANA ABERTA UIARio2021, trazendo para o debate o eixo temático DIVERSIDADE E MISTURA, dentro da programação do 27 Congresso Mundial de Arquitetos.

A semana é 100% ONLINE, GRATUITA E GLOBAL e reúne especialistas nacionais e internacionais em debates sobre os temas: Gênero e Cultura; Cidadania e Patrimônio; Globalidade e Singularidade.

CONHEÇA OS DEBATEDORES DA SEMANA DIVERSIDADE E MISTURA

Zaida Muxi

Zaida Muxi foi uma das primeiras estudiosas das questões de gênero aplicadas ao urbanismo e à arquitetura. Em Barcelona, onde vive desde 1990, formou um coletivo (Col Lectiu Punt 6) e uma rede de pesquisas (Um día, una arquitecta) sobre o tema. É autora dos livros Mujeres, casas y ciudades – Más allá del umbral e, junto a Josep Maria Montaner, Arquitectura y Política

Gabriela de Matos

Gabriela de Matos é criadora do projeto Arquitetas Negras, que mapeia a produção de arquitetas negras brasileiras. Em 2020, foi eleita a Arquiteta do Ano pelo Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Ela explora a questão racial de forma interseccional ao debate de gênero, de arquitetura e de cidade. Tem especialização em Sustentabilidade e Gestão do Ambiente Construído e é Vice-presidente do IAB-SP.

Fuensanta Nieto

Fuensanta Nieto é uma das mais destacadas arquitetas espanholas da atualidade, fundadora com Enrique Sobejano da Nieto Sobejano Arquitectos, que tem escritórios em Madri e Berlim. Sua carreira é marcada pela conquista de obras de vulto em concorrências públicas. É autora de projetos para museus icônicos como o San Telmo, em San Sebastian, o Centro de Arte Contemporânea e o museu Madinat al-Zahra, em Córdoba, o Palácio de Congressos de Zaragoza, e o anexo do Joanneum Museum, em Graz, na Áustria.

Marcelo Ferraz

Marcelo Ferraz foi colaborador de Lina Bo Bardi por 15 anos e de Oscar Niemeyer, em 2002. Também foi diretor do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do programa Monumenta, do Ministério da Cultura, para recuperação de cidades históricas. É um dos fundadores do escritório Brasil Arquitetura e autor dos livros Arquitetura rural na Serra da Mantiqueira (1992), Lina Bo Bardi (1993) e Arquitetura Conversável(2011).

Juan Román

Juan Román é um dos criadores da Escuela de Talca, reconhecida por aproximar seus alunos da prática construtiva e formar profissionais capacitados a responder aos desafios e mudanças culturais da atualidade. Em 2015, recebeu o Prêmio Mundial de Arquitetura Sustentável da Locus Foundation, em Paris, França. Em 2016, foi curador do Pavilhão Chileno na 15ª Bienal de Veneza, onde apresentou a exposição “Contracorrente”, com 15 projetos de estudantes de Talca para áreas rurais.

Rusty Smith

Rusty Smith é diretor associado do Rural Studio, programa de construção de Design da Auburn University, no Alabama (EUA), que oferece aos estudantes a experiência prática na região rural de Black Belt. O Rural Studio conquistou importantes premiações como a Citação Presidencial do Instituto Americano de Arquitetos, o Prêmio Whitney M. Young Jr. de Responsabilidade Social e o Prêmio Global da UNESCO para Arquitetura Sustentável.

Confira os horários da Semana Aberta Diversidade e Mistura UIA2021RIO:

19/04 09h – Gênero e Cultura

Gabriela Matos (Brasil) e Zaida Muxi (Espanha)

Mediação: Tainá de Paula (Brasil)

20/04 09h -Cidadania e Patrimônio

Fuensanta Nieto (Espanha) e Marcelo Ferraz (Brasil)

Mediação: Aline Cruz (Brasil)

21/04 09h – Globalidade e Singularidade

Juan Román (Chile) e Rusty Smith (EUA)

Mediação: Kristine Stiphany (EUA)

22/04 11h -Live da Semana Diversidade e Mistura

Inscreva-se gratuitamente aqui

**A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é organização parceira do Congresso UIARio2021 e, ao longo de toda a programação até o mês de julho, contará com uma ampla agenda de debates encabeçada por sua diretoria e seus sindicatos Na pauta estarão temas ligados aos desafios do mundo do trabalho e a implementação da ATHIS.

Sindicalize-se! Fique em dia com seu sindicato e garanta 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos – UIA 2021 RIO, com o tema Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21.

 

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Após sete anos de tramitação no Congresso, a Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Nº 14.133/2021) foi aprovada e seu texto publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

A lei incorpora em definitivo na norma licitatória brasileiro o regime de “contratação integrada”, que dispensa a existência de projeto previamente às licitações públicas.  Além disso, amplia o universo de sua aplicação.  Agora esse regime passa a ser de uso geral por qualquer instância administrativa (União, Estados, DF e Municípios), para qualquer tipo de obra, independentemente de dimensão ou valor.

A “contratação integrada” foi criada pelo RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas, Lei 12.462/2011) para uso nas obras de infraestrutura e aeroportos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, bem como empreendimentos do PAC e do SUS. Sua utilização gerou muita polêmica em razão de diversos casos de aumentos de orçamentos, atrasos, paralisação de obras e denúncias de corrupção. A principal causa, já reconhecida pelo TCU, é justamente a falta de projeto. Pela nova lei, bastará a Administração Pública licitar a obra com base apenas em anteprojeto, deixando por conta da empreiteira vencedora do certame a elaboração e desenvolvimento dos projetos básico e executivo, além da execução de obras e serviços de engenharia.

O CAU e todas as entidades que compõem o Colegiado das Entidades Nacionais de Arquitetos e Urbanistas (CEAU) defendem, desde o início do debate da nova lei, a existência do projeto completo (básico mais executivo) antes da licitação. Saiba mais em

Ressalvada a hipótese da “contratação integrada” a nova legislação veda a realização de obras e serviços de engenharia sem projeto executivo. Esse dispositivo vale inclusive para as obras a serem executadas pelo regime de “contratação semi-integrada”, no qual o projeto básico é exigido para o lançamento do edital da licitação (com possibilidade de alteração posterior se tecnicamente justificada). Também na “contratação semi-integrada” foi subtraída, na Nova Lei de Licitações, a exigência de patamar de valor mínimo da obra.

Ao justificar a eliminação do limite de valor em ambos regimes, o governo afirma que a fixação de um patamar mínimo “contraria o interesse público na medida que restringe a utilização dos regimes de contratação integrada e semi-integrada para obras, serviços e fornecimentos de pequeno e médio valor, em prejuízo à eficiência na Administração, além do potencial aumento de custos com a realização de posteriores aditivos contratuais”.

O despacho da Presidência da República justificando os vetos lembra também  “o risco de que tecnologias diferenciadas fiquem impossibilitadas de serem internalizadas em obras de médio e menor porte, tais como: obras de estabelecimentos penais e de unidades de atendimento socioeducativo, no âmbito da segurança pública, melhorias na mobilidade urbana ou ampliação de infraestrutura logística, SUS e PAC”. Argumenta-se ainda que “o dispositivo impacta negativamente em diversas políticas públicas sociais que hoje utilizam a contratação integrada como meio mais efetivo para a realização dos fins traçados no planejamento estatal.”

O RDC estabeleceu que o uso da “contratação integrada” estava condicionada a “inovação tecnológica ou técnica”, bem como “uso de diferentes metodologias ou ”possibilidade de execução com tecnologias de domínio restrito no mercado”.  Nem sempre, contudo, esses critérios foram considerados, conforme diversos acórdãos do TCU e outras fontes.

Outro veto presidencial dispensa a necessidade de apresentação de licenciamento ambiental, caso este seja de responsabilidade da Administração, antes da divulgação do edital da obra. Ou seja, o licenciamento poderá ocorrer só após a obra iniciada e caso venham a ser necessárias mitigações ambientais, isso causara eventual impacto nos custos e prazos da obra. A justificativa do governo é que a exigência inviabilizaria a “contratação integrada”, uma vez que o projeto é condição para obter a licença prévia e nesse regime ele só será elaborado após a concorrência, pela empreiteira vencedora.

Acesse a LEI Nº 14.133, DE 1º DE ABRIL DE 2021 na íntegra

Fonte: CAU/BR
Foto: Jamoon028/Freepik

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Mesmo após uma negociação costurada entre a coordenação do MTST do Distrito Federal e com a participação da Codhab, o governo do Distrito Federal mais uma vez avançou sobre a ocupação CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília, onde moram 34 famílias formadas essencialmente por catadores

A nova investida começou na segunda-feira, dia 05/04, quando a Polícia Militar (re) colocou abaixo nove casas e a escolinha do Cerrado recém construídas com recursos arrecadados de vaquinha online. As estruturas foram erguidas graças a uma ampla frente de solidariedade, com diversas entidades da sociedade civil, entre elas o Sindicato dos Arquitetos do DF, após demolição autorizada pelo governo no final de março. A arquiteta e urbanista Anie Caroline Figueira, do ArquitetosDF, presenciou todas as movimentações arbitrárias contra as famílias do local desde março, quando todas as 34 casas foram demolidas por ordem do governo. E junto com outros profissionais, integrou a equipe que modelou o projeto dos barracos temporários para abrigar as famílias do CCBB.

A ação na CCBB ocorreu três dias após o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, autorizar a remoção das famílias do local, atendendo ao recurso do Governo do Distrito Federal (GDF).  A decisão contraria a liminar da 8ª Vara da Fazenda Pública do DF que proibiu ordens de reintegração da ocupação do terreno ao lado do CCBB durante a crise sanitária. Em nova investida truculenta contra as estruturas que ainda permaneciam em pé no loca, a Polícia Militar retornou nesta quarta-feira (7) à ocupação e, mais uma vez, demoliu a sede da escolinha do Cerrado que atende a crianças em situação de vulnerabilidade social.

Famílias acuadas, a presença de lideranças de movimentos sociais e ativistas não conseguiram impedir que a decisão judicial fosse cumprida, mesmo diante dos fortes argumentos sustentados pela decisão da 8ª Vara da Fazenda Pública do DF. A resistência de ativistas culminou com a prisão do ambientalista Thiago Ávila, Caio Sad, militante da União da Juventude Rebelião e de Erika Oliveira e Pedro Filipe, todos encaminhados para a Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente.  No final do dia de ontem, uma articulação formada por advogados, parlamentares e outras entidades da sociedade civil conseguiu a liberação dos ativistas.

De acordo com Anie, o cenário atual é desolador para as famílias, que permanecem no local e aguardam por encaminhamento de políticas públicas capazes de mudar a realidade imposta pelo governo do DF.

Leia mais sobre o assunto:

http://www.fna.org.br/2021/03/25/sindicato-dos-arquitetos-do-df-se-manifesta-contra-a-prisao-de-thiago-avila/

http://www.fna.org.br/2021/03/25/apos-remocao-em-plena-pandemia-justica-concede-liminar-para-manter-familias-do-ccbb-no-local/

 

Foto: Nayá Tawane

 

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Depois de uma estreia impactante, em março, com 35,6 mil participantes, de 159 países, em debates focados na questão da desigualdade social, o 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA2021RIO tem continuidade em abril com o tema da diversidade.

De 19 a 22 de abril, será realizada a Semana Aberta Diversidade e Mistura UIA2021RIO. Serão três debates e a Live da Semana – em que as principais questões abordadas nos debates são aprofundadas por especialistas e eles também respondem a perguntas enviadas pelo público.

O primeiro debate de abril, no dia 19 às 9h, reúne as arquitetas Gabriela de Matos (Brasil) e Zaida Muxi (Argentina) em torno do tema Gênero e Cultura.

Gabriela é criadora do projeto Arquitetas Negras, que mapeia a produção de arquitetas negras brasileiras. Em 2020, foi eleita Arquiteta do Ano pelo Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Ela explora a questão racial de forma interseccional ao debate de gênero, de arquitetura e de cidade. Tem especialização em Sustentabilidade e Gestão do Ambiente Construído e é Vice-presidente do IAB-SP.

Zaida Muxi foi uma das primeiras estudiosas das questões de gênero aplicadas ao urbanismo e à arquitetura. Em Barcelona, onde vive desde 1990, formou um coletivo (Col Lectiu Punt 6) e uma rede de pesquisas (Um día, una arquitecta) sobre o tema. É autora dos livros Mujeres, casas y ciudades – Más allá del umbral e, junto a Josep Maria Montaner, Arquitectura y Política.

A mediação desse maravilhoso encontro fica por conta da arquiteta Tainá de Paula, co-presidente do IAB-RJ, atualmente exercendo mandato de vereadora do Rio de Janeiro.

O segundo debate, no dia 20 de abril, também às 9h, será com a espanhola Fuensanta Nieto e com Marcelo Ferraz, de São Paulo, Brasil. Eles falam sobre Cidadania e Patrimônio. A mediação cabe à arquiteta Aline Cruz, editora do Arquicast, plataforma de podcasts sobre Arquitetura, parceira do UIA2021RIO.

Fuensanta é uma das mais destacadas arquitetas espanholas da atualidade, fundadora com Enrique Sobejano da Nieto Sobejano Arquitectos, que tem escritórios em Madri e Berlim. Sua carreira é marcada pela conquista de obras de vulto em concorrências públicas. É autora de projetos para museus icônicos como o San Telmo, em San Sebastian, o Centro de Arte Contemporânea, em Córdoba, o museu Madinat al-Zahra, também em Córdoba, o Palácio de Congressos de Zaragoza – todos esses na Espanha – e o anexo do Joanneum Museum, em Graz, na Áustria. Marcelo Ferraz, natural de uma cidade pequena em Minas Gerais, foi colaborador de Lina Bo Bardi por 15 anos e de Oscar Niemeyer, em 2002. Também foi diretor do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do programa Monumenta, do Ministério da Cultura, para recuperação de cidades históricas. É um dos fundadores do escritório Brasil Arquitetura.

O terceiro debate, sobre o tema Globalidade e Singularidade, traz, no dia 21 de abril, às 9 horas, Juan Román (Chile) e Rusty Smith (Estados Unidos).

Juan Román é um dos criadores da Escuela de Talca, reconhecida por formar profissionais capacitados para responder aos desafios e mudanças culturais da atualidade. Cada aluno apresenta ao final do curso um projeto para a região do Vale Central do Chile. Em 2015, Juan Román recebeu o Prêmio Mundial de Arquitetura Sustentável da Locus Foundation, em Paris, França. Em 2016, foi curador do Pavilhão Chileno na 15ª Bienal de Veneza, onde apresentou a exposição “Contracorrente”, com 15 projetos de estudantes de Talca para áreas rurais.

Rusty Smith tem uma trajetória semelhante: é diretor associado do Rural Studio, programa de construção de Design da Auburn University, no Alabama (EUA). Essse programa oferece aos estudantes de Arquitetura uma experiência prática na região rural de Black Belt. O Rural Studio ficou conhecido ao fomentar o conceito de “reciclar, reutilizar e refazer” e já conquistou importantes premiações como a Citação Presidencial do Instituto Americano de Arquitetos, o Prêmio Whitney M. Young Jr. de Responsabilidade Social e o Prêmio Global da UNESCO para Arquitetura Sustentável. A moderadora será Kristine Stiphany, arquiteta e professora assistente de urbanismo na Texas Tech University.

Depois, no dia 22, às 11 horas, haverá a Live de Semana, quando serão aprofundadas as principais questões abordadas nos debates. O moderador da live será o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento Rio de Janeiro (IAB-RJ), Igor de Vetyemy, que é também o Comissário Geral do UIA2021RIO.

Os congressistas têm acesso a todo o conteúdo da Semana mesmo depois das apresentações – eles ficarão disponíveis por dois anos na plataforma exclusiva do UIA2021RIO.

Na plataforma também estarão outros conteúdos exclusivos, como as ArchiTalks, que, em abril, serão 13, com nomes de peso como:

  • Adriano Mascarenhas (Brasil)
  • Bruno Lima (Brasil)
  • Cazu Zegers (Chile)
  • Celso Rayol (Brasil)
  • Fernanda Barbara (Brasil)
  • Yolande Daniels (EUA)
  • Li Xinggang (China)
  • Lua Nitsche (Brasil)

 

  • Mario Figueroa (Brasil)
  • Peter Rich (EUA)
  • Rocco Yim (China)
  • Tang Yan (China)
  • Tia Kansara (Reino Unido)

 

Confira   os   horários   da   Semana   Aberta   Diversidade   e   Mistura UIA2021RIO:

 

19/04 09h Gênero e Cultura

Gabriela Matos (Brasil) e Zaida Muxi (Espanha)

Mediação: Tainá de Paula (Brasil)

20/04 09h Cidadania e Patrimônio

Fuensanta Nieto (Espanha) e Marcelo Ferraz (Brasil)

Mediação: Aline Cruz (Brasil)

21/04 09h Globalidade e Singularidade

Juan Román (Chile) e Rusty Smith (EUA) Mediação: Kristine Stiphany (EUA)

22/04 11h Live da Semana Diversidade e Mistura

Mediação: Igor de Vetyemy (Brasil)

 

**A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é organização parceira do Congresso UIARio2021 e, ao longo de toda a programação até o mês de julho, contará com uma ampla agenda de debates encabeçada por sua diretoria e seus sindicatos Na pauta estarão temas ligados aos desafios do mundo do trabalho e a implementação da ATHIS.

Sindicalize-se! Fique em dia com seu sindicato e garanta 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos – UIA 2021 RIO, com o tema Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21.

 

 

 

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A Universidade Estadual de Campinas, através do seu Diretório de Cultura e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, promove o Fórum Permanente Cidades Criativas, que ocorre nos dias 14 e 15 de abril. As inscrições, que são gratuitas, já estão abertas até o dia 14/4 clicando neste link.

Ana Carla Fonseca Reis, Claudia Leitão, Sidney Bernardini, Claudia Seldin, Mariana Fix, Luciana Guilherme, Lauro Luiz Francisco Filho e Julia Zardo apresentam e debatem estes e outros temas relacionados com as Cidades Criativas, a Economia Criativa e o futuro de nossas cidades.

Confira a programação:

14/04 (quarta-feira)

14h – Abertura

14h15 – Mesa 1 – Economia e cidades criativas no mundo e no Brasil

Ana Carla Fonseca Reis – Professora e Coordenadora de cursos de pós-graduação em economia da cultura, economia criativa e cidades na Fundação Getulio Vargas/SP, na Universidade Candido Mendes/RJ e na Universidad Nacional de Córdoba (Argentina) e professora da Universidad Rey Juan Carlos (Espanha) e de centros de conhecimento, como a Casa do Saber e o Cultura e Mercado.

15h -A Firjan e o Levantamento da Economia Criativa no Brasil

Joana Afonso Siqueira – Representante da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Foi responsável pela elaboração do Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, participação em diversas pesquisas e estudos com foco em inovação, empreendedorismo, desenvolvimento econômico e mercado.

15h40 – A Economia Criativa Brasileira

Claudia Leitão – Professora do Mestrado Profissional em Gestão de Negócios Turísticos da Universidade Estadual do Ceará, onde participa do Grupo Unificado de Pesquisa sobre Estudos Turísticos e de Hospitalidade.

16h20 – Debate

Moderador: Prof.Dr. Sidney Piochi Bernardini – Professor e pesquisador no Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP.

15/04 (quinta-feira)

14h -Mesa 2 – Cidades criativas e movimentos de insurgência

A insurgência e as Cidades Criativas

Claudia Seldin – Pesquisadora e professora visitante júnior no Center for Metropolitan Studies da Tecnhische Universitat Berlin, onde possui uma fellowship da Alexander von Humboldt Stftung em convênio com a CAPES.

14h40 – O Estado em rede

Luciana Lima Guilherme – Professora de graduação e pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Markenting (ESPM/RJ). Professora visitante do MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ).

15h20 – Participação popular e as Cidades Criativas

Mariana de Azevedo Barreto Fix – Professora e pesquisadora no Departamento de História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e do Urbanismo da Universidade de São Paulo. Foi professora no Instituto de Economia da UNICAMP.

16h – Debate

Moderador: Prof. Dr. Lauro Luiz Francisco Filho – professor e pesquisador no Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civuil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP.

17h – Encerramento.

Foto: dabldy/iStock

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A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e a Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (FENEA) lançam, neste mês de abril, o Projeto ArquiCine, ação com o objetivo de divulgar o trabalho e a atuação de arquitetos e urbanistas em ações que tenham como foco cidades inclusivas, democráticas e com espaços de maior qualidade.  Serão duas oficinas que ensinarão aos profissionais e líderes dos movimentos como produzir audiovisuais com uso de celulares. As produções resultantes das oficinas integrarão a Mostra ArquiCine/Câmera Causa no 27° Congresso Mundial de Arquitetos (UIARio2021), em julho.

Nesta primeira etapa, o projeto será exclusivamente voltado à atuação dos profissionais em parceria com movimentos sociais visando a produção de moradia digna nas cidades brasileiras.  A escolha do tema se baseia na realidade de que o Brasil é referência internacional em projetos de produção de moradias populares por meio de mutirão e autogestão, legado que vem sendo construído coletivamente pelos movimentos populares e inúmeros profissionais, com destaque para os arquitetos e urbanistas.

Vale lembrar que, desde 2008, o país tem a Lei Federal Nº 11.888 que define como direito dos cidadãos o acesso à assistência técnica em áreas de habitação de interesse social. Apesar dos desafios de sua aplicação no Brasil, é uma importante referência na produção social da moradia. “O projeto ArquiCine quer justamente reconhecer e difundir essas histórias que são referência nacional e internacional em assistência técnica e autogestão e evidenciar o papel essencial dos arquitetos e urbanistas no planejamento urbano e nas políticas habitacionais”, destacou a presidente da FNA, Eleonora Mascia.

Para viabilizar a ação, FNA e Fenea firmaram parceria com o Projeto Câmera Causa (http://facebook.com/cameracausa), dos cineastas Gustavo Spolidoro e Lucas Heitor Beal Sant’Anna. Os profissionais ministrarão oficinas online que irão instruir e incentivar a produção audiovisual realizada pelos alunos através de seus dispositivos móveis. Estas oficinas têm foco na reflexão sobre moradia e no trabalho de arquitetas (os) em conjunto com membros dos movimentos sociais atendidos por projetos da área da arquitetura e urbanismo em todo o país.
Inicialmente, serão abertas duas turmas, com 20 vagas cada. Calcula-se que cada oficina terá como resultado a produção de cinco curtas-metragens feitos em dispositivos móveis.

Como participar
As inscrições para as oficinas estão disponíveis no formulário (clique aqui para acessar).

Cada equipe deverá ter, no mínimo, um arquiteto e urbanista devidamente registrado no CAU e um representante da comunidade e/ou movimento social a ser retratado. O limite máximo de participantes é de quatro pessoas por equipe. As produções poderão contar com a colaboração e participação de outros profissionais e integrantes da comunidade (mesmo que não inscritos nas oficinas) desde que devidamente creditados.
As produções realizadas no âmbito do ArquiCine terão plena cedência de direitos e usos à FNA, FENEA, UIA E CÂMERA CAUSA, para livre uso em sites, redes socais e quaisquer outros meios, com a identificação e crédito dos autores.

Cronograma

Oficina 1

SÁBADO 24/4 – 9h às 13h;
SÁBADO 24/4 – 14h às 16h;
DOMINGO 25/4 – 9 às 13h; Alunos filmam na semana em seus locais e equipamentos;
SÁBADO 1/5 9 às 13h – consultorias por Grupos;
DOMINGO 2/5 – 9 às 13h – alunos entregam vídeo final e sessão para equipes, profes e FNA com debate; DOMINGO 2/5 – 14 às 18h – consultoria por grupos para finalização total

Oficina 2

SEGUNDA, TERÇA E QUARTA 26/4, 27/4 e 28/4 (18H ÀS 22H);
Alunos filmam e editam na semana;
SEGUNDA 3/5 – 18 às 22h – consultoria por grupos;
TERÇA 4/5 – 18h as 22h alunos entregam vídeo final e sessão para equipes, profes e FNA com Debate;
QUARTA 5/5 – 18h as 22h – consultoria por grupos pra finalização total.

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O Plenário do Senado aprovou o projeto (PL 488/2021) que veda o emprego de técnicas de arquitetura hostil à circulação de pessoas, especialmente população de rua, nos espaços públicos. Pelo texto, fica proibida a instalação de equipamentos urbanos e realização de obras com o objetivo de afastar pessoas em situação de rua. Do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), o projeto teve como relator o senador Paulo Paim (PT-RS), deu à matéria o nome de “Lei Padre Júlio Lancelotti”, dada a contínua atuação do padre, em São Paulo, em favor da população de rua. Texto agora segue para a análise da Câmara dos Deputados.

A iniciativa, explica Paim, foi motivada por um episódio ocorrido em fevereiro de 2021, consistente na instalação de paralelepípedos sob um viaduto na cidade de São Paulo, com o objetivo de impedir a concentração de pessoas em situação de rua no local. Essa ação chegou ao conhecimento público graças a uma denúncia do Padre Júlio Lancellotti, que tem dedicado sua vida ao acolhimento dessa população, e teve ampla repercussão junto à mídia.

“A realidade, no entanto, é ainda mais grave, pois não se trata de um fato isolado”, apontou o senador Paulo Paim. Na justificativa do projeto, o senador Fabiano Contarato afirma que muitas cidades brasileiras têm incentivado a arquitetura defensiva, em razão da especulação imobiliária de determinadas regiões. Outros exemplos desse tipo de arquitetura incluem bancos sem encosto, ondulados ou com divisórias, cercas eletrificadas e pedras ásperas e pontiagudas.

“A ideia que está por trás dessa ‘lógica’ neoliberal é a de que a remoção do público indesejado em determinada localidade resulta na valorização de seu entorno e, consequentemente, no aumento do valor de mercado dos empreendimentos que ali se localizam, gerando mais lucro a seus investidores”, explicou.

Fonte: Agência Senado e PT Senado
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

 

 

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Hoje é 31 de Março. Há 57 anos começava a mobilização da Ditadura de 1964 que se seguiu por longos 21 anos. Esse é, ao menos no meu olhar de quem não estava vivo para ver, o período mais autoritário visto e vivido por todas e todos com que se encontra por aí. Não há como nem porque esconder que tantos anos depois, novamente sob governo liderado por um militar, e sobre uma pressão sanitária e social sentida em todos os cantos do país se reúnem hoje sob chamado do presidente e de diversos representantes da elite militar e nacional comemorações da data do golpe de 1964.

Já se foi o tempo que o último golpe político no Brasil foi o de Março de 1964. E pelo menos desde Agosto de 2016 a movimentação da estrutura social e política voltou a se curvar para um autoritarismo que poucos poderiam sequer imaginar a qual custo e com qual cara viria.

Em tempos de 3 mil mortes por dia em nosso país, vítimas da má administração da pandemia de SARS-COV-2, parecem até longínquas as perdas das instituições sindicais, dos conselhos participativos, da indústria da construção civil nacional. Mas esse é um canal de comunicação profissional e nos são muito caros os meandros do nosso trabalho e da organização de nossos profissionais.

Aproveitemos para reorganizar nossa memória e resistir a escalada de perdas, destruições e negações que nos coloca a cada dia mais frágeis a esse autoritarismo que está representado pelas performances e manifestações que se sintam a comemorar a Ditadura de 1964.

A participação da nossa categoria, da nossa classe, dos nossos estudantes, do nosso sindicato, são registros vivos como mostrou nossa federação mais cedo. É sobre a memória de tantas colegas e colegas que nos debruçamos um pouco mais hoje no esforço de nos lembrar. Lembrar de antigas lutas e sonhos que até hoje nos enfrentam, coreografadas nas ruas, cada vez mais de armas nas mãos.

Como não seria possível em um único dia ou texto lembrar de tudo, vemos aqui fragmentos da nossa memória para hoje, a entrevista com o historiador Paulo Parucker. Ilustrada pela foto de capa, de Marcos Santilli, por fragmentos de um discurso proferido na FAU/UnB presentes no livro A rebelião dos Estudantes, de Antônio Padua Gurgel, e por um arquivo de vigilância mantido pela ditadura e acessível no Arquivo Nacional. E que de hoje até 1o de Maio possamos exercitar nossa memória em rumos a uma comemoração que deve de fato acontecer, o dia do trabalhador.

Entrevista na íntegra realizada com o Historiador Paulo Parucker no dia 29/3/2021.

Desenho de Paulo Parucker. (Flávio Roberto Castro Nóbrega, 2021)

 

1.Qual a sua idade, de onde você vem, como foi seu primeiro contato com a ditadura?

Antes de mais nada, gostaria de agradecer o convite para essa oportuna conversa e celebrar a iniciativa do sindicato, especialmente na conjuntura em que vivemos. Quanto a mim, os primeiros contatos com a ditadura foram, possivelmente, as vibrações de um tempo tumultuado em minha fase intrauterina: quando nasci, o golpe que derrubou o presidente Jango tinha ocorrido não mais que 5 semanas antes. Assim, nasci e passei toda a infância e adolescência sob o regime militar. Mas, apesar de toda a propaganda ufanista do governo, das aulas de Educação Moral e Cívica, de toda a censura e tal, lá pelas tantas a gente vai crescendo e começa a perceber nuances, a buscar um olhar crítico. (Meus velhos eram o que se podia chamar de liberais, leitores d’O Pasquim, mas sem grandes arroubos oposicionistas). Aos 15, 16 anos, fiz minhas primeiras leituras sobre o tema, na linha das então recentes memórias dos ‘anos de chumbo’ (“O que é isso, Companheiro?”, do Gabeira, “Os Carbonários”, do Alfredo Sirkis), ou ensaios temáticos (“Guerra de Guerrilha no Brasil”, do Fernando Portela). Um quadro impressionante foi-se desenhando, entre relatos de torturas, de ações armadas, de fugas e capturas, de operações militares na selva. Sopravam os ventos da dita “Abertura (Lenta, Gradual e Segura)”, a aprovação da Lei de Anistia, de agosto de 79, e o retorno de Brizola, Arraes, Betinho (“o irmão do Henfil”) e tantos outros exilados, num clima de fim de ditadura que, no entanto, ainda se arrastaria por vários anos. Acompanhei timidamente, mais à distância do que gostaria, o movimento estudantil da virada para os anos 80, tive vivências de grêmio estudantil e centro acadêmico, mas não de militância em organizações mais formais.

2.Quando e por que decidiu estudar a ditadura militar?

Pergunta difícil. Não sei o que veio primeiro, se o interesse nos temas da ditadura ou se o interesse em História, de modo geral. No fim do ensino básico e no ensino médio, alguns professores foram importantes para dar uma direção mais objetiva a esses interesse, e cito particularmente o professor Admário Luiz, que, sem jamais fazer proselitismo, revelava toda a riqueza de um olhar mais crítico sobre a sociedade. Quando entrei na graduação (História) na UnB, a partir de 1982, a coisa ficou mais nítida, inclusive porque a universidade e o país fervilhavam de mobilizações democráticas, assembleias, greves. Lembro da grandíssima professora Adalgisa Vieira do Rosário, em nome de quem saúdo tantas professoras, professores e estudantes que não deixaram as dificuldades da vida prática desestimularem nem a reflexão histórica nem a utopia. Na virada para os anos 90, me aproximei da ditadura como objeto de estudo, quando, no mestrado na Universidade Federal Fluminense – UFF, explorei o ainda pouco estudado movimento político dos subalternos militares (sargentos, marinheiros etc.) entre 1961 e 1964. A dissertação foi orientada pelo professor Daniel Aarão Reis Filho, sendo aprovada em 1992, por uma banca “da pesada”, na qual tive a honra de contar, além do orientador (ele próprio personagem importante na história da resistência armada à ditadura, também com a professora Ângela Castro Gomes e o professor René Dreyfuss. (Daí resultou meu livro “Praças em pé de guerra”, publicado em 2009 pela Editora Expressão Popular). A participação na Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da UnB (CATMV-UnB), após 2012, me permitiu uma imersão radical no tema, seja convivendo com depoentes que “combateram o bom combate”, seja explorando os chamados “papéis da ditadura” (a documentação dos órgãos de espionagem e repressão, hoje disponível para pesquisa no Arquivo Nacional e em outros espaços institucionais de memória). “Exemplos de documentos da Assessoria de Segurança e Informação da Universidade de Brasília, que integra o Fundo ASI-UnB, parte do acervo dos chamados “papéis da ditadura”, hoje sob a guarda do Arquivo Nacional”

3.Quais as principais características e contradições da ditadura militar em sua visão?

(Depois de breve silêncio, devolvo a pergunta: em quantos volumes você quer a resposta? Rsrsrs…). O tema, complexo, não merece tratamento ligeiro, mas é incontornável. Mesmo correndo o enorme risco (certeza!) de deixar coisas essenciais de fora da análise, eu destacaria alguns aspectos. Primeiro: a ditadura teve um componente militar impossível de ser desconsiderado (tanto na forma quanto no conteúdo), mas é vital que não se perca de vista seu componente civil. Seja no golpe de 64, seja no regime que o seguiu, foi bastante destacado o papel de parlamentares, lideranças empresariais, tecnocratas, setores do Judiciário e outros operadores do Direito, grupos de comunicação social e do complexo aparato imperialista estadunidense, por exemplo). Sobre a polêmica de como designar o período, se ditadura militar, se civil-militar, prefiro a clareza da expressão: ditadura, é do que se trata.
Segundo aspecto: o contexto internacional é de extrema importância para a compreensão do período. No caso, o mundo vivia a “Guerra Fria” – disputa ideológica, econômica e política entre os grandes blocos de poder, de um lado o autodenominado “Mundo Livre”, capitaneado pelos EUA, e, de outro, o bloco por aqui pejorativamente chamado de “Cortina de Ferro”, a englobar os países sob a batuta da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. Assim, estimulados por um profundo anticomunismo, os países do bloco capitalista, em especial as ditaduras da América do Sul, com suas especificidades, sob os influxos da Doutrina de Segurança Nacional, viveram a construção do “inimigo interno”, identificando e supondo eliminar a subversão em qualquer comportamento minimamente desviante do tolerado pela Ordem.
Em terceiro lugar, vale apontar o modelo de desenvolvimento adotado, cuja principal característica, a meu ver, foi o aspecto concentrador de renda, escudado pelo aparato de repressão, o que aprofundou as já enormes desigualdades sociais. Assim, embora como abstração de Estado tenhamos experimentado seletivamente avanços materiais e tecnológicos (a montagem da infraestrutura de energia, telecomunicações, transportes, e a industrialização em determinados setores da economia e regiões do país, por exemplo), convivemos com desastres sociais inadmissíveis (altíssimas taxas de mortalidade infantil, inchaço desumano das periferias urbanas sem saneamento, saúde, educação, transporte, etc.). Permeando isso tudo, a brutalidade da repressão incluiu sequestros e prisões clandestinas, uso sistemático de censura, torturas, assassinatos e ocultação de cadáveres, extermínio de povos originários, caçada de lideranças camponesas, estudantis e sindicais e de outros intelectuais orgânicos que não compactuaram com os rumos impostos ao país de forma autoritária.

4.Qual o papel e em quais contradições se deram as comissões da verdade, em especial a que você participou?

As comissões da verdade se inserem no conjunto de fenômenos, conhecimentos, procedimentos e práticas que, desde a última década do século XX, vem sendo definido como Justiça de Transição. Esse conceito amplo abarca os numerosos e diversificados processos históricos em que se deu o término de experiências traumáticas para a sociedade (como guerras civis, ditaduras militares, conflitos interétnicos etc.) e a passagem para regimes de base democrática ou de caráter menos autoritário e violento que a situação precedente. Esses processos tiveram e têm ritmos, dinâmicas e características peculiares a cada formação histórica específica, mas é possível identificar os grandes eixos em que se desdobram: a) a responsabilização dos agentes perpetradores das graves violações de direitos humanos em questão; b) o restabelecimento da verdade e o processo de memorialização; c) o estabelecimento de políticas de reparação (não apenas materiais, como indenizações e restituição de cargos, mas também simbólicas, como o reconhecimento das violações e o pedido de desculpas às vítimas, pelo Estado); e d) a reforma das instituições para a não-repetição (como a desmilitarização das polícias, a alteração dos conteúdos curriculares nas escolas militares, a democratização dos meios de comunicação social etc.).
A Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da Universidade de Brasília (CATMV-UnB), tal como a Comissão Nacional da Verdade (CNV), se insere nesse contexto. São, ambas, o resultado de disputas políticas e de limitações inerentes ao quadro institucional. Esse aspecto é importante: até onde vão os poderes de uma comissão da verdade? A resposta é dada pelo jogo das forças em disputa na sociedade. Assim, antes de criticarmos uma comissão da verdade pelo alcance limitado de resultados, por exemplo, é preciso considerar qual era seu mandato, até onde iam suas prerrogativas e poderes frente a autoridades que, nem sempre, estavam dispostas a cooperar.
Ainda que limitados, os resultados de comissões da verdade – é o caso da CNV e da CATMV-UnB – foram muito relevantes para pautar o assunto na sociedade e, claro, deixar registrado, com riqueza de provas, o conjunto de graves violações de direitos humanos perpetrados durante a ditadura e, sempre que possível, os responsáveis e sua cadeia de comando, bem como as diversificadas formas de resistência e oposição, a identificação e memorialização de vítimas já ausentes e as estruturas no bojo das quais tudo isso ocorreu. O trabalho sensível dessas comissões deixou patente que as torturas, as mortes e “desaparecimentos políticos” compuseram um quadro não de excessos pontuais de um ou outro mau profissional, mas uma verdadeira política de Estado, com planejamento, recursos humanos, materiais e financeiros voltados para o controle social autoritário, claramente definível como Terrorismo de Estado. (No fim das contas, os “terroristas” eram outros…)

5.Em que lugar você vê o movimento estudantil e sindical na resistência contra o autoritarismo durante a ditadura?

As lutas nem sempre acontecem como gostaríamos que acontecessem. O quadro institucional, no interior do qual as disputas sociais e políticas ocorrem, é dinâmico e variou bastante ao longo dos mais de 20 anos de ditadura. O movimento estudantil e o movimento sindical tiveram destacado papel de oposição nos primórdios da ditadura, entre os anos de 1964 e 1968, bem como a partir da segunda metade da década de 70, já incorporando novos atores sociais como associações de bairro, coletivos culturais, etc. Com a edição do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, e pelos dez anos seguintes, os resquícios de institucionalidade do Estado de direito que porventura ainda se insinuassem tibiamente foram suprimidos. Tornaram-se, então, comuns as prisões ilegais e sem conhecimento da autoridade judicial, o que permitia ao aparelho repressivo manter os ditos “subversivos”, por muitos dias, em espaços interditos ao olhar público, não raro submetidos seguidamente a interrogatórios sob tortura (cujos métodos chegaram a ser ensinados em cursos com aulas práticas!). A morte do interrogado era, às vezes, um “acidente de trabalho” que podia levar, inclusive, à ocultação do cadáver e a sonegação, às famílias, do sagrado e multimilenar direito de enterrar seus mortos. Os parcos projetos de resistência mediante a luta armada, em guerrilhas urbanas e rurais, jamais chegaram a ameaçar seriamente o Estado ditatorial. Foram logo exterminados, mas foram instrumentalizados para justificar a existência e o crescimento do aparato repressivo e a manutenção do controle pelo medo e da vigilância totalitária. Com o desastre econômico e a crescente falta de apoio popular, as medidas repressivas já não continham a insatisfação geral, e o processo de abertura política a partir de meados dos anos 70 passou a sofrer novamente a pressão dos movimentos de massas nas ruas, estudantes e trabalhadores à frente. Então, a “Nova República”, articulação de viés conservador e “por cima”, incorporando no novo bloco de poder muito do regime anterior, realizou, sem grandes sobressaltos, a transição da ditadura a um regime democrático de baixa intensidade, que nos acompanha desde meados dos anos 80.

6.Embora depois de 21 anos de tortura, morte, autoritarismo, concentração de renda e inflação o poder volta as mãos dos militares, no que se fundamenta o crescimento dessa cultura novamente no brasil? Ou isso não é uma cultura e algo mais como imposição a qual responder é difícil?

Somos um país construído historicamente sob relações sociais de extrema violência que incluem escravização e extermínio de populações inteiras, sejam povos originários, sejam povos submetidos à diáspora africana. Isso acaba incorporado à cultura política, às formas como é exercido o poder e como são organizadas as disputas por hegemonia entre as forças sociais. As torturas em delegacias e prisões e os “esquadrões da morte” precederam a ditadura, lhe foram contemporâneos e a sucederam, com adaptações e peculiaridades territoriais e temporais. Por outro lado, a tutela militar tem sido recorrente em nossa história (os principais episódios políticos da República, como 1889, 1930, 1945, 1954, 1964, 1968, 1984-85-88 e 2016-2018) têm a marca dos quartéis. A cultura em que vivemos tem traços autoritários que explicam muito do racismo estrutural, da discriminação racial e social já naturalizada pelas elites. Enfim, lidamos com processos cujas distintas temporalidades atravessam nossa história, permanentemente em construção. Não tenho uma resposta satisfatória a dar nessa questão, mas apenas um conselho: resistir é preciso, a luta é todo dia.

7.Como podemos construir táticas de disseminação da memória da ditadura em direção a uma organização que tenha mais força para enfrentar o autoritarismo, a fome, a falta de trabalho, a falta de moradia, a falta de saúde e a falta de educação?

Gosto da pergunta, me remete a um dístico do mundialmente famoso Maio de 68: “Sejamos realistas, peçamos o impossível!”  Bem que eu gostaria, mas não tenho uma receita pronta para questões tão viscerais. Mesmo assim, arrisco umas tentativas aqui e ali. Pensando sob o prisma do local, do imediato, do mais próximo de nós, os comuns mortais, há iniciativas bem interessantes, especialmente para o universo de arquitetas, arquitetos e urbanistas: há poucos meses, fruto de parceria entre membros da CATMV-UnB, da Associação dos Docentes da UnB – ADUnB e do Decanato de Extensão – DEX/UnB (Diretoria de Difusão Cultural – DDC, Casa de Cultura da América Latina – CAL), foi concluído o Edital Território Livre, iniciativa  que selecionou e proporcionou uma residência artística, vencida pela artista plástica Érica Ferrari, que permitiu debates remotos durante a pandemia e, ao fim e ao cabo, logrou propiciar interessantes reflexões e a elaboração artística de marcos de memória para futura instalação no campus Darcy Ribeiro da UnB.
Outra linha de ação bem interessante a ser lembrada é a luta pela renomeação da Segunda Ponte, que já foi chamada Ponte Costa e Silve e teve o nome mudado para Ponte Honestino Guimarães, mas foi judicialmente renomeada Ponte Costa e Silva. Trata-se de um processo em aberto, que precisa ser abraçado pela sociedade para ser levado adiante.
Outras formas de pautar o tema da memória e verdade são as intervenções populares como o Samba da Resistência e o Samba do Peleja, ou as instigantes ideias e técnicas de protesto e memória divulgadas no Minimanual de Arte Guerrilha, do Coletivo Aparecidos Políticos, por exemplo.
Enfim, como na canção, “se muito vale o já feito, mais vale o que será”… Tudo está, permanentemente, por fazer. (O que não dá é para ficarmos de braços cruzados, esperando que as coisas se encaixem magicamente no paraíso terrestre que imaginamos). Lembrar é resistir!

Fonte: ArquitetosDF
Crédito imagem: Marcos Santilli, UnB, 1977 (in Relatório da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da Universidade de Brasília – CATMV/UnB, pg. 346)

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Nascida e criada na periferia de Salvador (BA), a vida de Gilcinéa Barbosa, 51, foi marcada desde o início pela luta em busca da igualdade de direitos. Filha de uma professora de escola pública e um rodoviário, ela foi a primeira da sua família a ingressar na faculdade. O diploma em Arquitetura e Urbanismo veio no ano de 1993, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). No entanto, o caminho até chegar lá foi árduo e o apoio da mãe Maria da Hora Barbosa da Conceição, hoje com 76 anos, foi fundamental nesse processo. Atualmente, a arquiteta e urbanista é especializada em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades e opera como servidora pública há mais de 20 anos na Prefeitura Municipal de Salvador.

A paixão pela Arquitetura e Urbanismo nasceu ainda na adolescência. Gil, como é conhecida, herdou um talento especial pelas artes e usava esse dom para ajudar a mãe nas aulas do magistério, ilustrando atividades para os alunos e imprimindo no mimeógrafo. Essas tarefas diárias acenderam na profissional um desejo de seguir numa área onde pudesse exercer funções artísticas, que foram aperfeiçoadas quando ela ingressou no curso de desenho técnico. Na época, para comprar os materiais e equipamentos utilizados na classe, dona Maria precisou abrir um crediário. “Minha mãe sempre foi uma grande incentivadora dos meus estudos e da minha profissão. Por isso, quando ingressei na universidade, busquei estagiar desde o início para conseguir diminuir a demanda financeira da família”, conta.

Contudo, a preocupação com os estudos não foi a única que começou cedo para Gil. Aos 14 anos, ela percebeu as desigualdades sociais e raciais que sua comunidade sofria em relação aos bairros mais centrais de Salvador. Essa inquietação foi responsável por engajar sua primeira participação nos movimentos sociais, que teve seu ‘start’ no grupo União de Mulheres de Itapagipe, que reunia mulheres de 14 bairros da região. Dali em diante, o interesse por pautas ligadas às políticas desse segmento só foram aumentando. Ocupando um lugar de fala como mulher negra e periférica, Gil sempre reparou a falta de paridade racial e de gênero nos espaços que frequentava. Na faculdade, a turma de 40 alunos no curso de Arquitetura e Urbanismo tinha apenas dois estudantes pretos. “Os meus iguais estavam ao meu redor na comunidade, mas quando chegávamos nos ambientes acadêmicos e profissionais eles não estavam mais presentes. Situação que eu jamais aceitei e luto para mudar”, frisa.

O anseio por mudanças seguiu Gil durante sua trajetória profissional. Logo que conquistou seu diploma, a arquiteta e urbanista foi trabalhar na Prefeitura de Camaçari e passou a integrar um grupo socioambiental chamado CAMA – Centro de Arte e Meio Ambiente atuando com articulação social, empreendedorismo e ativismo juvenil. Quatro anos depois, a profissional passou no concurso da Prefeitura de Salvador, onde trabalha até hoje como Subgerente de Projetos Urbanísticos. Foi nos corredores da prefeitura que a luta sindical de Gil iniciou. A primeira delas foi voltada à melhoria salarial da categoria, que em 2006 ganhava menos do que o piso. Em 2008, a então vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas da Bahia (Sinarq-BA), Maria Auxiliadora Machado a convidou para ingressar na chapa do sindicato. Dali em diante, Gil se envolveu cada vez mais nas pautas trabalhistas e participou, inclusive, dos debates que anos depois deram origem à criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). A presidência do Sinarq-BA veio em 2016 e, de 2018 a 2020, a arquiteta e urbanista assumiu a cabeça do CAU-BA. “Arquitetura e Urbanismo é muito mais do que vemos na televisão. Ainda temos um longo caminho para percorrer, mas é necessário enaltecer nossas vitórias. Nossa categoria está cada vez mais forte e unida, e isso é fruto do nosso trabalho”, pontua.

A participação na Comissão Temporária de Política para a Equidade de Gênero do CAU é um dos momentos marcantes de Gil. A sindicalista elogia o trabalho realizado pelo conselho, que levou às capitais do Brasil um ciclo de debates para elaborar ações que tornem as cidades mais inclusivas para mulheres. Para ela, não existe Arquitetura e Urbanismo sem recorte de classe, raça e gênero.  “Precisamos reconhecer que o racismo existe e é estrutural no nosso país e é necessário ações afirmativas para descontruir isso. As mulheres são invisíveis, mas as mulheres negras são mais ainda. Precisamos nos fazer presente no discurso e na prática, ocupar os espaços e expandir esse debate.”

Foto: Carolina Jardine

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