SEARCH
Your address will show here 12 34 56 78

Segunda maior fonte de poluição e responsável por ceifar anos de vida de cidadãos brasileiros, o ruído é um problema emergencial a ser enfrentado por gestores públicos. Apesar de invisível, o dano à saúde mental e física é irreversível e exige atenção de profissionais, principalmente daqueles envolvidos com o planejamento urbano. A gravidade do assunto reuniu arquitetos e urbanistas de diferentes regiões do Brasil, lideranças e representantes do Poder Público na live “Mapa de ruído: planejando cidades melhores para as pessoas”, promovida pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas em seu canal do YouTube nesta quinta-feira (25/02).

Mediado pelo arquiteto e urbanista Cicero Alvarez, o encontro reuniu dois dos maiores especialistas em acústica do país: a arquiteta e urbanista e doutora em Engenharia Acústica Carolina Monteiro e o presidente da Sociedade Brasileira de Acústica (Sobrac), Krisdany Cavalcante. “O Mapa de Ruído é uma ferramenta de política pública e de prevenção dos conflitos urbanos”, pontuou Cavalcante, citando o alto índice de conflitos gerados em função do problema. Em Belo Horizonte, por exemplo, 67% das reclamações ambientais são decorrentes da poluição sonora.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a poluição sonora não traz danos apenas à audição. Cavalcante citou os efeitos fisiológicos e psíquicos do excesso de ruído e lembrou que construir estruturas capazes de minimizar e/ou neutralizar esse impacto é tarefa dos profissionais da construção civil. “O som é energia, e ela impacta em todo corpo, incluindo as alterações hormonais decorrentes da nossa exposição à energia sonora. Nós profissionais precisamos avaliar requisitos acústicos em nossos ambientes construídos”, esclareceu.

Consciente que o objetivo primeiro que lhe move é a população, Carolina detalhou um pouco sobre o que são os mapas de ruído e como podem ser utilizados como uma ação preventiva aos conflitos em cidades e zonas rurais. A ideia consiste em alimentar softwares de predição com dados técnicos de cada região das cidades, como tipo de pavimento, dados da frota do transporte público e elementos presentes na cidade. O sistema, então, gera um mapa preliminar de pontos de maior estresse acústico, que ainda precisa ser complementado com medições em pontos amostrais. Um trabalho que já teve vários ensaios e pesquisas iniciadas no Brasil mas que ainda não foi implementado com efetividade. Testes foram feitos em Porto Alegre, Brasília, Fortaleza e Rio de Janeiro e outras cidades, sem avanço efetivo. Atualmente, o projeto desenvolvido em São Paulo é o mais avançado no país.
Adotar uma política pública séria de enfrentamento aos ruídos urbanos é um trabalho integrado que exige atenção dos gestores públicos, pontuou Cicero Alvarez. Para isso, é essencial estabelecer um time multidisciplinar com uma equipe técnica especializada em acústica, softwares de análises, profissionais que operam com uso do solo, mobilidade urbana, meio ambiente e saúde.  “Não adianta ter mapa de ruído se não tem ação”, alertou a arquiteta e urbanista Carolina Monteiro.Muito utilizado em cidades europeias, o Mapa de Ruído permite ao gestor público mensurar áreas de maior densidade e, com essa informação, orientar ações para evitar o agravamento do problema. De posse dessas informações, há diversos caminhos a seguir. Uma opção aventada durante o debate da FNA foi a de incluir análises de impacto sonoro na aprovação de novos empreendimentos e, inclusive, para concessão de Habite-se. “As pessoas são o objetivo, sua saúde e bem-estar. Nosso trabalho quer ver o invisível, sair dessa cegueira”, sugeriu Carolina, lembrando que os mapas não indicam apenas problemas, mas podem apontar áreas de refúgios e orientar ajustes essenciais para uma vida mais harmônica nas cidades.

O que fazer
Carolina explica que há diversas formas de minimizar o ruído de uma determinada região e que elas variam em complexidade e preço. Algumas vezes, a neutralização pode ser feita com troca da frota do transporte público, outras com orientação para novas edificações na área e até com o desvio de trânsito. Esgotadas as opções anteriores, indica ela, parte-se então para reflexão sobre a construção de barreiras físicas. “Quem trabalha com acústica não quer barreiras. É efetivo e caro e por isso precisamos usar em doses homeopáticas”, pontuou. Segundo ela, agir no receptor com adoção de barreiras em janelas de residências, por exemplo, é a última e mais dispendiosa opção. Antes disso, citou ela, há várias ações, inclusive educacionais. “É algo que precisa de vontade política e mobilização popular. Exige um somatório para isso se mover”.

A posição é reforçada pelo presidente da Sobrac. “O trabalho que temos que fazer é muito grande e tem que ser feito a muitas mãos. Não são questões meramente técnicas porque envolvem residentes, investidores, gestores públicos. É um tema que permeia a todos”, pontuou, lembrando que estamos em plena comemoração do Ano Internacional do Som (2020/2021), agenda que inclui diversas ações e debates com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre o tema. O Brasil também sediará em 2021 o 12º Congresso Iberoamericano de Acústica, agendado para o mês de agosto em Florianópolis (SC).

Os Mapas
Geralmente, os mapas de ruído se caracterizam por uma imagem colorida estanque da situação sonora de uma região. Contudo, os especialistas recomendam seu cruzamento com o chamado mapa de sensibilidade do local, o que resulta em um Mapa de Conflito, esse sim capaz de indicar ações práticas a serem adotadas. Na hora de intervir em uma região com uma edificação, recomenda Carolina, o profissional deve dar um zoom, sair da escala e observar medições específicas do terreno de forma a adotar na futura construção o isolamento necessário. “A ação é voltada sempre para proteção do receptor.” Em algumas cidades ao redor do mundo, o assunto é tratado com tanta seriedade que já se dispõem, inclusive, de mapas dinâmicos com sensores instalados de forma permanente. É o caso de Paris e Londres.

Para o futuro, os especialistas preveem a redução dos ruídos no trânsito com a adoção de veículos elétricos. No entanto, a solução para o problema sonoro dos grandes centros urbanos está longe. Além da necessidade de os próprios carros elétricos emitirem som para minimizar risco de acidentes, há outros ruídos inoportunos nas ruas que se sobressairão. “O desafio não acaba, se transforma”, salientou Carolina.

Saiba mais em: https://fia2020.com.br/ e http://acustica.org.br/2021/01/fia-2020/

The post Cidades precisam abandonar cegueira auditiva e ver o invisível appeared first on FNA.

0

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas estará representada no VI Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (ENANPARQ), que acontece de 1° a 5 de março em formato 100% virtual. A presidente da FNA, arquiteta e urbanista Eleonora Mascia, confirmou sua participação na reunião temática do dia 2/03, 14h, que abordará o tema ‘O papel do profissional de Arquitetura e Urbanismo e as Instituições’, dividindo a mesa com representantes do CAU/BR, iAB/BR, ABEA, DOCOMOMO e UIA.  A reunião terá coordenação da arquiteta e urbanista Angela Maria Godilho Souza.

O ENANPARQ é um evento bianual realizado por professores, pesquisadores e discentes de pós-graduação e graduação que atuam na área de Arquitetura e Urbanismo, com o objetivo de contribuir no incentivo a atividades inerentes à formação, à pesquisa, à extensão, à cultura e ao desenvolvimento cultural e tecnológico dessa área. Também é o espaço para revelar a produção acadêmico-científica e profissional.

Neste ano, o evento trará como tema  “Limiaridade: processos e práticas em Arquitetura e Urbanismo”. Nessa edição, em particular, foi incorporado “Diálogos Internacionais” a fim de substanciar o tema e seus eixos, trazendo ao encontro a troca de ações e experiências estrangeiras, especialmente latino-americanas. Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPG-FAU/UnB), conta com a colaboração de outras instituições de ensino superior da região: Universidade Estadual de Goiás (TECCER/UEG), Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG) e Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).

As inscrições para o ENANPARQ com desconto de 20% para sócios da ANPARQ, professores/pesquisadores/profissionais, estudantes de pós-graduação ou recém formados (até 1 ano) e estudantes de graduação, acontecem até o dia 28 de fevereiro.

Mais detalhes sobre a programação geral e acesso ás inscrições aqui

 

The post FNA confirma presença em reunião temática no VI ENANPARQ appeared first on FNA.

0

Prezados integrantes do Conselho de Representantes da FNA

A Diretoria Executiva da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) convoca os integrantes do Conselho de Representantes, Conselho Consultivo e Conselho Fiscal para reunião a ser realizada no dia 02 de março (terça-feira), às 20:00 (horário de Brasília).
O encontro ocorrerá de forma virtual pelo aplicativo Google Meet.
Na ocasião, serão tratados os seguintes temas:

a) Informes e atualização das representações nos grupos temáticos do jurídico e comunicação.

b) Representação da FNA e Sindicatos no Congresso UIA 2021 Rio, com as indicações solicitadas para envio à comissão organizadora (cota de gratuidade para participação no evento). Comissão FNA/ Sindicatos e Propostas de atividades sob coordenação da FNA e Sindicatos no Congresso UIA Rio 2021

c) Campanha para sustentabilidade dos sindicatos 2021 – valores base para CSU e mobilização pela taxa associativa (informe dos sindicatos sobre valores e estratégias)..

d) Definição de formato e possíveis datas para realização do ENSA 2021.

Solicitamos confirmar participação até 02/03/2021.
Contamos com a presença e colaboração de todos.

Cordialmente,

Eleonora Mascia
Presidente da FNA
Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas
Gestão 2019-2021 – A luta é todo dia!

The post FNA reúne Conselho de Representantes no dia 2 de março appeared first on FNA.

0

Leticia Szczesny/ Imprensa FNA

Extensão do que mulheres enfrentam diariamente nas ruas, nas casas e nas universidades, o patriarcado e as condutas machistas estabelecidos no âmbito profissional ainda são uma luta travada por arquitetas e urbanistas e por tantas outras profissionais que buscam igualdade de gênero. Uma delas é a arquiteta e urbanista Paula Fernanda Rodrigues, conhecida profissionalmente como Paula Ferdinan, de 34 anos. Natural de São Bernardo do Campo (SP), ela é uma das 156 mulheres que integraram a chapa mais votada para compor o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) na gestão 2021-2023, triênio em que, pela primeira vez, uma mulher irá comandar a autarquia. Paula faz parte das comissões de Comunicação e de Fiscalização.

Formada há 10 anos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), a arquiteta iniciou sua politização e se envolveu de forma mais efetiva com o tema da disparidade de gêneros na profissão quando trabalhou no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Lá, ao lado de outras profissionais, Paula ajudou a dar vida ao Grupo de Trabalho Mulheres na Arquitetura (GTMA), do qual foi uma das coordenadoras até 2019. Buscando conscientizar as mulheres quanto à existência do preconceito na esfera trabalhista e, até mesmo, pessoal, o grupo promoveu diversas ações e movimentos, como campanhas para chamar a atenção sobre a importância da denúncia. “Dentro de um sindicato os trabalhadores devem ser defendidos e apoiados e, nesse contexto, as mulheres, principalmente, pois são elas quem sofrem mais assédio moral e sexual em todos os ambientes”, declara.

Paula é uma das sócias-fundadoras do Castanha Coletivo de Arquitetura (@castanha.coletivo). Acompanhada de outras três arquitetas, ela tirou o empreendimento do papel em 2019 e, desde então, realiza reformas e consultorias focadas na arquitetura de interiores. “Nossa intenção é trabalhar da maneira mais horizontal possível para tornar a arquitetura justa e acessível, inclusive com parceiros e fornecedores. Nós temos esse histórico de trabalhos anteriores com ATHIS, então buscamos criar essa rede de conexões que valorize e fortaleça pequenas iniciativas de negócios”, explica.

Confira a entrevista completa com a arquiteta e urbanista:

Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) – Apesar de serem maioria no país, as arquitetas e urbanistas ainda enfrentam inúmeros desafios diariamente. Quais são os mais frequentes na profissão e porque eles ainda existem?

Paula Fernanda Rodrigues – Os desafios das arquitetas são os mesmos que as mulheres enfrentam diariamente fora do ambiente de trabalho. O que as profissionais passam nos escritórios, nas prefeituras, é apenas uma extensão, um reflexo do que passamos todos os dias por causa do machismo e da estrutura patriarcal. Quando saímos do escritório, assédio moral e assédio sexual acontecem no plano urbano também, na rua e dentro de casa. O desrespeito com as mulheres e a desconsideração com o nosso trabalho está em todos os âmbitos. Não acho que dentro da arquitetura exista alguma questão específica, podemos até falar de alguns pontos, mas é importante situar o preconceito que as mulheres sofrem no âmbito geral. A transformação do tratamento dado ao papel da mulher no campo profissional tem que acontecer em todas as profissões.

Pensando em alguns empecilhos que as mulheres sofrem e que acompanhei enquanto trabalhava no Sindicato, por exemplo: é muito comum que as mulheres sejam relegadas a alguns nichos dentro do escritório de arquitetura. As estagiárias mais novas podem ser colocadas em mesas na frente, sob alguma desculpa, mas de fato para recepcionar clientes e fornecedores. A área de projetos normalmente fica com homens, inclusive na extensão no corpo docente em universidades, enquanto as mulheres ficam sujeitas muitas vezes à parte administrativa e operacional. Em grandes escritórios isso acaba acontecendo muito. A questão do assédio também é comum nas universidades. Nós recebemos diversos relatos de preconceito de gênero na distribuição de notas, de professores fazendo comentários abusivos em tom de brincadeira e envergonhando as alunas, comentando sobre o corpo delas e menosprezando seu trabalho. A discriminação se amplifica ainda mais no caso de arquitetas negras e LGBTQI+.

Agora, a maternidade é o grande nó indissolúvel. No campo da arquitetura ainda não existe esse cuidado, onde as mulheres consigam conciliar a vida profissional e a maternidade. Elas acabam tendo que se dedicar a uma tarefa ou à outra, sob o risco de ficar sem o salário ou sem emprego, se estão em um escritório onde não têm a estrutura para manter os direitos da gestante. Se ela é autônoma, por exemplo, não tem como continuar com os projetos, ou finaliza com grande dificuldade e sem nenhuma segurança financeira e acaba perdendo clientes. Os abusos acontecem já nas entrevistas de emprego, né? Quem nunca recebeu a pergunta: “e você pretende ter filhos logo?” e outras do gênero.

FNA – A vitória da Chapa CAU+Plural nas eleições do CAU/SP representa um avanço em igualdade no colegiado e na profissão? Podemos ter esperança de um futuro mais igualitário?

Paula – Foi certamente um avanço conjunto. Em São Paulo, foi uma vitória acachapante e não esperada, estávamos confiantes, mas não sabíamos que seria um sucesso tão grande. O processo foi muito bacana e bastante horizontal. Encontros virtuais de 156 mulheres bem no meio da pandemia, que desejavam modificar alguns comportamentos caducos ocorrentes na instituição em busca dessa representatividade da profissão. É muito legal trabalhar somente com mulheres, pois tudo fica muito organizado, divertido, eficiente e mais prático!

Em relação à chapa eu destaco dois pontos importantes: o fato de ser uma chapa vitoriosa eminentemente feminina demonstra que os arquitetos estão mais conscientes da importância de ter essa representação dentro das instituições de classe, mais correspondente à distribuição de gênero na formação total de arquitetos e arquitetas no estado. Além disso, revela o desejo de mudança em relação ao que o CAU/SP tem sido até agora desde sua criação, em 2010. Certamente, essa chapa foi icônica.

Nós tivemos problemas, tentativas de impugnação. Há empecilhos, preconceitos. Os arquitetos que são mais retrógrados olham para o trabalho da chapa, essa disposição das mulheres de participar, como uma questão de identidade. E não é isso. É uma questão de representação de fato. Tirar do poder aqueles que estão habituados a isso e distribuir melhor esses cargos para que a tomada de decisões fique o mais democrática possível. Se podemos ficar um pouco mais otimistas? Acredito que sim. É um otimismo baseado no nosso trabalho diário e calcado no trabalho de muitas outras mulheres que abriram caminho para a gente já há décadas.

FNA – Você trabalhou de 2014 a 2018 como uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho (GT) Mulheres na Arquitetura no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Nesta época, quais foram as principais áreas de atuação do grupo?

Paula – De 2014 a 2018 trabalhei na Comunicação do SASP. Em 2015, foi formado o GTMA. O trabalho do grupo foi muito importante, porque rompeu algumas barreiras dentro da instituição. A nossa maior vitória, na época, foi conquistar e aprovar a paridade de gênero dentro do Sindicato para a próxima gestão. Não conseguimos, porém, incluir esse termo no estatuto. Além disso, apoiamos iniciativas como a revista Mulheres Invisíveis, tivemos o início de um trabalho de atendimento psicológico dentro do Sindicato para mulheres que sofreram assédio. Infelizmente, o SASP passou por diversos entraves e, hoje em dia, o GTMA já não está em atividade plena.

No entanto, durante o período em que estava em atividade realizamos diversas palestras, lançamento de revistas, debates com arquitetas negras, como Joice Berth, e nos Encontros Estaduais de Arquitetos nós sempre tínhamos uma mesa específica para os debates desse tema das mulheres na profissão e na cidade. Foi um trabalho muito enriquecedor. Eu gostaria que essas comissões de gêneros estivessem em todos os sindicatos de todos os estados e também nos CAUs. A pauta das mulheres nos escritórios, a questão da maternidade, do respeito ao trabalho intelectual e ao direito autoral das mulheres têm que ser uma discussão constante para que a gente consiga sempre se manter alerta para que esse poder conquistado não se perca. Sempre temos que estar alertas.

FNA – Como grupos como o Mulheres na Arquitetura podem contribuir para uma profissão com mais equiparidade?

Paula – Um dos pilares do GTMA era a questão da educação política, da conscientização dessas mulheres de que existe o machismo, o preconceito de gênero e de que o assédio é um fator real. Partíamos deste ponto de reconhecimento e conscientização no ambiente de trabalho, onde muitas mulheres, principalmente as mais novas, acabam não reconhecendo que aquilo está acontecendo, e tratam algumas situações como algo normal, muitas vezes vinda de um chefe, de um colega de trabalho, de clientes. O objetivo do grupo, por estar dentro do Sindicato, era melhorar as condições trabalhistas das arquitetas, por meio da exposição da opressão de gênero, da conscientização e do fortalecimento mútuo frente a essa violência e da busca por ferramentas práticas de ação para casos de opressão.

Tínhamos uma série de histórias em quadrinhos semanais com artistas mulheres, onde retratávamos essas situações cotidianas de machismo. Depois da conscientização, nós pensávamos em ações. Essa era a parte mais difícil, porque o Sindicato não tinha muita perna para agir, por isso pensamos no atendimento psicológico. Essa é uma discussão que precisa ser ampliada para a classe para tentar encontrar a solução. O que fazer com os casos de assédios já ocorridos? O que fazer quando a mulher reconhece que isso está acontecendo? Como impedir e conscientizar a todos? Esse é um debate que ainda ficou por acontecer e que eu acredito que tenha que ser incentivado em todas as instituições de arquitetura no país.

FNA – Qual seu conselho para mulheres que ainda estão na faculdade ou estão entrando no mercado de trabalho?

Paula – Eu já sinto uma diferença muito grande geracional dessas meninas que estão se formando agora e a minha. A geração delas é muito mais ousada, mais consciente do que a minha. Por exemplo, na minha faculdade quase não se falava neste tópico. A minha politização nesse quesito foi depois de 2013. Temos algumas pioneiras como a Terezinha Gonzaga, que estudou o assunto da mulher no urbano, do preconceito já na década de 90, mas eu não fiquei sabendo disso até conhecer o Sindicato. O meu conselho para essas meninas que estão se formando agora é que elas estudem muito essa questão da mulher e a questão da classe, pois há já muito material disponível para que a mulher arquiteta se envolva politicamente. Dentro do GTMA nós incentivamos os grupos de discussão nas faculdades, a organização e as ações coletivas como fazer panfletagem, encenações. Temos que encarar essa luta da mulher como uma atividade inerentemente política e que tem que ser feita com afinco, com cuidado, com responsabilidade e com firmeza.

Se eu pudesse eu também falaria: pensem sempre na questão da conscientização. Porque muitas mulheres não sabem e é nosso papel, de quem está mais consciente da situação, de passar isso adiante. A união entre as mulheres para encontrar soluções é o caminho. Fale sempre, exponha as situações, não guarde para si. Fale com outras mulheres, com outras pessoas e busque ajuda, porque a pior coisa é aguentar achando que somos culpadas pelas situações ou que não há nada que possa ser feito. As melhores soluções são sempre coletivas

The post Uma luta além dos escritórios appeared first on FNA.

0

Aprofundar o conhecimento sobre a problemática habitacional brasileira com foco no contexto de desenvolvimento das cidades tem sido a proposta de diversos cursos e em diferentes níveis de capacitação oferecidos por plataformas privadas de ensino e universidades. O objetivo é instrumentalizar participantes para uma atuação voltada à habitação de interesse social (Athis), na perspectiva do direito igualitário à cidade e a partir das distintas arenas de atuação profissional.

No ambiente das universidades, com exceção dos níveis de Especialização e Extensão, muitas não possuem uma disciplina específica sobre o tema em nível de graduação em Arquitetura e Urbanismo, o que gera uma oferta de cursos em diferentes espaços, seja a partir de entidades de classe como sindicatos, conselhos de arquitetura dos estados e outras organizações de classe, e via plataformas privadas de capacitação, a exemplo do Sympla (www.sympla.com.br0 , que no ano passado promoveu mini-cursos da Athis no período de março a agosto.

A capacitação se torna relevante a partir da constatação de que mais de 85% dos brasileiros constroem e reformam sem qualquer orientação de arquitetos e urbanistas ou engenheiros, conforme levantamento divulgado pelo CAU/BR. Apesar da lei nacional (Lei Federal nº 11.888/2008, de autoria do arquiteto gaúcho Clóvis Ilgenfritz) que estabeleceu a Athis em 2008 prevendo a garantia de acesso gratuito de famílias de baixa renda ao trabalho técnico de profissionais especializados, a legislação ainda é pouco aplicada.

Outra iniciativa de capacitação vem da ONG Soluções Urbanas (http://www.solucoesurbanas.org.br/) , que neste ano abriu inscrições para a primeira turma dos cursos de Athis, com desconto de 30% aos arquitetos e urbanistas registrados nos CAU/UF e aos estudantes de Arquitetura e Urbanismo. Os cursos são independentes, mas complementares, e foram adaptados das oficinas e workshops ministrados pela arquiteta e urbanista Mariana Estevão, a partir da experiência da ONG  com o desenvolvimento e aplicação da metodologia do Projeto Arquiteto de Família.

Também a plataforma e-Pavilion  (https://www.e-pavilion.com/) mantém em sua grade permanente de cursos online um voltado exclusivamente à Habitação de Interesse Social com temática residencial. Através de estudos de caso que contam com mapeamentos, implantações, tabelas, fotografias e croquis, são abordados aspectos como identificação de demandas populacionais, planejamento, execução, legislação, diretrizes para projetos de urbanização e de edificação, instrumentos de avaliação de projetos e outros aspectos.

 

 

 

 

 

The post Capacitação em Athis cresce para além do ambiente acadêmico appeared first on FNA.

0

Neste episódio do FNACast, conversamos com o presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado do RJ, Rodrigo Bertamé, para falar sobre os 50 anos do Sarj. E ainda: reportagens especiais e abertura da agenda de lives em 2021.

O FNACAST é uma produção da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) com o intuito de divulgar informações sobre a Arquitetura e Urbanismo no Brasil e fortalecer a classe profissional.

Ouça no Soundcloud
Ouça no Spotify

The post FNACAST #12 fala sobre os 50 anos do Sarj appeared first on FNA.

0

O 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA2021RIO será um evento híbrido, com sessões virtuais, a partir de março, e atividades presenciais, de 18 a 22 de julho, no Rio de Janeiro, transmitidas ao vivo, pela internet, para congressistas do mundo todo. Nos próximos dias, a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) definirá os nomes dos integrantes da Comissão de acompanhamento do congresso.

A primeira Semana Mundial de Arquitetos UIA2021RIO, com conteúdo digital, será de 22 a 25 de março. Durante esta semana, o conteúdo estará aberto; depois, só terão acesso os inscritos no Congresso, cujos valores são € 90 para profissionais e € 60 para estudantes.

O tema escolhido para abrir o UIA2021RIO, em março, é aquele que mais aflige e preocupa o mundo atualmente: as fragilidades e desigualdades sociais. Arquitetos e urbanistas, nas mais diferentes metrópoles, têm atuado no enfrentamento de situações críticas, tentando reverter as condições precárias de moradores de favelas, cortiços, abrigos temporários, assentamentos informais e unidades habitacionais produzidas por autoconstrução ou autogestão. E eles trazem suas visões e experiências para o UIA2021RIO.

O primeiro debate da semana – com o título Arquitetura da Inclusão Social – reúne a arquiteta suíça Fabienne Hoelzel, a socióloga carioca Maria Alice Rezende de Carvalho e a jornalista Mariana Barros, que faz a moderação.

Fabienne Hoelzel teve uma experiência na Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) do Município de São Paulo e participou no Programa de Urbanização de Favelas (2009-2012). Ela é fundadora do Fabulous Urban, escritório de Design Urbano e Pesquisa com sede em Zurique, Suíça, e filial em Lagos, Nigéria. Fabienne comenta no debate o projeto Makoko Neighbourhood Hotspot, um centro comunitário polivalente que faz uso de biogás.

Historiadora e socióloga, Maria Alice Rezende de Carvalho faz uma análise ampla sobre as intervenções urbanas em favelas no Brasil, destacando o contexto político. A convite da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), Maria Alice participou da avaliação da primeira fase do Favela-Bairro, um dos mais destacados programas de urbanização de favelas, iniciado na década de 1980. Mais de 20 anos depois, a pedido do Instituto de Arquitetos do Brasil, ela elaborou um manual para ajudar os escritórios de arquitetura em seus diagnósticos sociais. Especialista no tema das cidades, Mariana Barros faz uma boa costura das abordagens.

O debate seguinte, sobre “O que é mesmo periferia?”, traz duas outras personalidades marcantes: o arquiteto Alfredo Brillembourg e o líder comunitário Gilson Rodrigues.

Alfredo é natural de Nova York e comanda o Urban-Think Tank (U-TT), escritório de design interdisciplinar em Caracas, na Venezuela. Seu foco é a inovação e a sustentabilidade em projetos para populações que vivem na informalidade – inclusive em razão de migrações. Em Nova York, fundou o laboratório de habitação urbana sustentável S.L.U.M. Lab.

Ele conversa com o Gilson Rodrigues, que nasceu na Bahia e hoje é conhecido como o “prefeito de Paraisópolis”, uma das maiores favelas da cidade de São Paulo. Gilson coordena o G10 das favelas, grupo de lideranças comunitárias com atuação nacional. A moderação cabe ao arquiteto Fernando Serapião, editor da revista Monolito.

O terceiro debate trata especificamente da “Arquitetura na Favela” e conta também com nomes ilustríssimos: os arquitetos Alejandro Echeverri e Jorge Jáuregui. Conhecido por um dos mais arrojados projetos de intervenção urbana e social – em Medellín, sua cidade natal, entre 2004 e 2008 – o colombiano conta como a arquitetura é capaz de mudar comportamentos.

O argentino Jorge Jáuregui, que há mais de 30 anos trabalha no Rio de Janeiro, comenta os pontos fortes e fracos de praticamente todas as iniciativas de urbanização de favelas já realizadas na metrópole e ainda traz as novidades de seus últimos trabalhos na República Dominicana. Entre os dois craques, quem assume a moderação é a também arquiteta e editora da revista Projeto, Evelise Grunow.

E ainda tem mais. Para consolidar esses conteúdos densos e de alta relevância será realizada uma live de encerramento. Convidados especiais discutirão as questões destacadas nos debates. “Será uma oportunidade para retomar tópicos apontados nos debates, cruzar ideias, consolidar os conhecimentos”, diz Elisabete França, Coordenadora do Comitê Científico do UIA2021RIO, que lidera a montagem da programação de debates.

A partir de março, a cada mês, o UIA2021RIO promoverá estes debates em série, culminando em lives. Em julho, as atividades presenciais realizadas entre os dias 18 e 22 serão transmitidas online.

Confira os horários da Primeira Semana Mundial de Arquitetos UIA2021RIO:

22/03 – 9h

A arquitetura da inclusão social

Fabienne Hoelzel (Suíça) e Maria Alice Rezende de Carvalho (Brasil)

Moderado por Mariana Barros

23/03 – 9h

O que é mesmo periferia?

Alfredo Brillembourg (Venezuela/EUA) e Gilson Rodrigues (Brasil)

Moderado por Fernando Serapião

24/03 – 9h

Arquitetura na favela

Alejandro Echeverri (Colombia) Jorge Jáuregui (Brasil)

Moderado por Evelise Grunow

25/03 – 11h

Live de Encerramento Fragilidades e Desigualdades

 

Mais informações no site do evento

 

The post Divulgada programação digital do UIA 2021Rio em março appeared first on FNA.

0

A Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA) abre a agenda de lives de 2021 com debate sobre o uso de mapas de ruído no controle da poluição sonora de grandes centros urbanos e sobre o seu papel na saúde física e psíquica de seus moradores. A transmissão ocorre no dia 25 de fevereiro, às 19h, no canal do Youtube da FNA. Para explicar como esse instrumento pode ser produzido e utilizado pelos profissionais que trabalham com planejamento urbano, participam da live o presidente da Sociedade Brasileira de Acústica (Sobrac), Krisdany Cavalcante, e a arquiteta e urbanista Carolina Monteiro, que é doutora em Engenharia Acústica e representante do Brasil no comitê de acústica de edificações da ISO.

Quem mediará a conversa será o arquiteto e urbanista Cicero Alvarez, ex-presidente da FNA e membro do conselho consultivo da federação. Ele explica que os mapas de ruído podem ser importantes ferramentas dos arquitetos e urbanistas na hora de planejar as cidades visando minimizar impactos e custos tanto para quem constrói como para quem utilizará o ambiente. Estudos da Organização Mundial da Saúde estimam que 10% da população mundial está exposta a níveis de pressão sonora que podem causar perda auditiva. A poluição sonora também pode trazer danos psíquicos. “O ruído está ligado ao acúmulo de estresse, problemas psicológicos e cardíacos. Seus efeitos são cumulativos no organismo. É um assunto que não só a classe profissional deve compreender, mas todos nós, enquanto sociedade. Como somos agentes da construção das cidades, temos que ter consciência das possibilidades de uso dos mapas de ruído e incorporar seu uso no planejamento das cidades.

Assista a live clicando aqui. 

Foto: hanohiki/iStock

The post FNA abre agenda de 2021 com live sobre danos do ruído nas cidades appeared first on FNA.

0

Depois de fortes críticas à Resolução CGSIM nº 64/2020, que trata de novas regras para o licenciamento urbanístico, o Ministério da Economia anunciou que vai submeter a revogação da medida. Será feita uma revisão do texto, com a participação de grupos de trabalho e e realização de audiências públicas. O governo já começou os contatos com conselhos profissionais como o CAU/BR e o CONFEA, entidades de municípios e estados, e representantes do setor produtivo, entre outros.

O convite já foi feito à presidente do CAU/BR, Nadia Somekh, em reunião com a Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade (SEAE) do Ministério da Economia. “Estamos aqui com a perspectiva para ajudar. Aceitamos o convite e já criamos um grupo de trabalho no CAU/BR”, disse a presidente.

Na reunião, ela destacou que é fundamental valorizar a responsabilidade técnica dos arquitetos e urbanistas, a competência constitucional dos municípios para fazer a regulação urbana e edilícia e a regularização de imóveis já construídos. “Nós temos um passivo muito grande da irregularidade das nossas cidades, e a resolução só tem foco nos novos projetos”.

PARTICIPAÇÃO DAS COMISSÕES DO CAU/BR
A Comissão de Política Urbana e Ambiental (CPUA) do CAU/BR, em reunião conjunta com a Comissão de Política Profissional (CPP), apoiaram a decisão da Presidência do CAU/BR em compor o grupo de trabalho proposto pelo
Ministério da Economia.

Decidiu-se ainda criar uma frente de discussão com arquitetos e urbanistas, entidades de classe e instituições para o aperfeiçoamento da norma, em paralelo ao grupo de trabalho.

Nessa reunião, os conselheiros federais da CPUA e da CPP apontaram possíveis inconstitucionalidades, ilegalidades e conflitos da Resolução CGSIM nº 64/2020 com a Lei nº 12.378, gerando prejuízos às práticas profissionais de arquitetos e urbanistas.

Fonte: CAU/BR

Foto: lamontak/iStock

The post Governo Federal convida arquitetos e engenheiros para debater licenciamento de obras appeared first on FNA.

0

Com o adensamento das cidades e redução da disponibilidade de solo, o fenômeno da verticalização tem se intensificado nas cidades de todo o mundo. Assim como a verticalização de edifícios — que costuma dividir opiniões de arquitetos e urbanistas — muitas iniciativas têm buscado na dimensão vertical uma possibilidade para promover a presença do verde nos centros urbanos. Jardins, fazendas ou florestas verticais, hortas em coberturas e estruturas suspensas para agricultura urbana são algumas das possibilidades de verticalização do cultivo de espécies vegetais, cada uma com suas especificidades e impactos específicos para as cidades e seus habitantes.

Mas seria a verticalização a solução ideal para tornar as cidades mais verdes? E quais são os impactos dessa ação nos centros urbanos? Ou ainda, quais os benefícios da vegetação que são perdidos ao adotar soluções em altura, ao invés de promover seu cultivo diretamente no solo?

Em cidades com pouca disponibilidade de terrenos livres, como Tóquio e Nova York, fazendas verticais e coberturas verdes têm se multiplicado com o intuito de aproveitar espaços subutilizados para a produção de alimentos e promoção da segurança alimentar. Em Nova York, a cada ano, mais de 36 toneladas de vegetais orgânicos são cultivados no topo de edifícios, em um sistema que além de produzir alimentos contribui para que muitos poluentes não cheguem aos rios da cidade. Enquanto isso, na capital do Japão o projeto Sodaro Farms construiu pomares nas coberturas de estações de trem com livre acesso para a população e um edifício de escritórios transformou sua fachada em uma fazenda vertical.

Projetos como estes são exemplos de como o cultivo de diferentes espécies vegetais — voltadas para o consumo humano ou não — pode ser introduzido de maneira alternativa àquele feito diretamente no solo. Ainda que a “verticalização” possa assumir diferentes configurações a depender da estrutura utilizada, das espécies cultivadas e do contexto em que é inserida, estas soluções têm em comum a otimização dos espaços para a promoção de áreas verdes — mesmo que sua ocupação horizontal seja a mínima possível. Nesse sentido, os impactos da vegetação para as cidades, já muito conhecidos, adquirem uma nova dimensão a partir da verticalidade. Redução das ilhas de calor, aumento da biodiversidade, promoção da segurança alimentar, melhora da qualidade do ar, redução nas emissões de CO2 e outros impactos positivos do verde nas cidades são potencializados a partir destes modos alternativos de cultivo.

As “florestas verticais”, como são chamados os edifícios que nos últimos anos têm incorporado espécies arbóreas ao longo de toda sua altura, são mais um exemplo de verticalização de áreas verdes, e têm ganhado cada vez mais fama e prestígio, atingindo selos de sustentabilidade e inovação a nível internacional. O Bosco Verticale (2014), considerado o primeiro projeto de floresta vertical construído no mundo, projeto do escritório italiano Boeri Studio em Milão, já foi premiado internacionalmente pelo Deutschen Architekturmuseums com o International Highrise Award (2014) e pelo Council for Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) como melhor edifício em altura do mundo (2015).

Além dos benefícios das espécies vegetais para os espaços internos do edifício e para a cidade em geral, o Bosco Verticale se destaca também pela variação das folhagens ao longo do ano, produzindo um efeito estético único para o edifício.

Mas, apesar de todas as vantagens da verticalização de espécies vegetais, alguns dos principais benefícios que as áreas verdes podem trazer para as cidades — como a drenagem dos solos, redução de riscos de deslizamentos de terra e promoção de áreas sombreadas — são perdidos com a sua elevação do solo. Isso não quer dizer, no entanto, que a verticalização do verde não deva ser praticada ou incentivada, mas sim que, por si só, não é suficiente para promover mais benefícios a nível do solo e tornar as cidades mais “verdes” no sentido mais amplo do termo.

O arquiteto Lloyd Alter pondera que esse modelo de “esverdeamento” pode trazer condições ruins para as árvores pelas condições atmosféricas a grandes alturas e pela eventual falta de espaço para crescimento das raízes. Por esses motivos, a prática deve ser bem estudada em diversos sentidos, com estruturas apropriadas para suportar o peso e prever o crescimento das espécies — o que, desconfia Alter, pode levar a uma situação em que o CO2 liberado na produção do concreto para as jardineiras nunca consiga ser totalmente absorvido pelas árvores que suportam.

Como responsáveis por três quartos das emissões globais de gás carbônico no mundo, os espaços urbanos certamente devem ter um papel central na redução dos impactos ambientais no planeta. Enquanto alternativa para promover mais espaços verdes nas cidades e trazer impactos positivos para seus habitantes, a verticalização tem atraído olhares de muitos arquitetos e urbanistas para propor soluções inovadoras em cidades cada vez mais densas e com menos espaços disponíveis. Nesse sentido, a verticalização pode ser uma boa alternativa para esverdear espaços já construídos e otimizar a produção de espécies vegetais, mas não substitui a importância e os benefícios da ocupação das áreas verdes no solo.

Fonte: Archdaily 

Foto: Paolo Rosselli

The post Verticalização verde: impactos no nível do solo e na paisagem urbana appeared first on FNA.

0